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sábado, 19 de março de 2011

BBB: atentado à sociedade brasileira!

Crônica de Luiz Fernando Veríssimo sobre o "BBB"

"Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...

A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 11 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos.

Gays, lésbicas, héteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB 11 é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 11. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.

Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados.

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas, porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. E aí vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani, da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia, se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler a Bíblia, orar, ler um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa. Ir ao cinema, estudar, ouvir uma música edificante, cuidar das flores e jardins, telefonar para um amigo, visitar os avós, pescar, brincar com as crianças ou, simplesmente, dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade."


[Recebido por e-mail. Como não assisto esse programa, não posso confirmar qualquer informação. Mas o todo do texto tenho certeza que é verídico, seja ele do Luiz Fernando Veríssimo ou de quem for. Nossa sociedade brasileira está entrando no caos total.]


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Mito da Informação

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 9.1.11


"Li no UOL de 29.12.10: “Ellen Jabour caminha com o cachorro na orla da Barra, no Rio”. E esta: “Cachorro passeia pela Times Square usando botinhas e casaco”, sob a foto de um cachorro inglês. Um cão lord, não um vira-lata brasileiro. E, o que confirmou minha desconfiança com a mídia e as descobertas “científicas”: a foto de um dente, tão pequeno que cabia entre o polegar e o indicador: “Descoberta pode mudar a teoria da evolução”. Muito bem conservado, o dente nos remeteria a 16.000 anos atrás. Impressionante!

Cultura inútil e superficial e afirmações bombásticas com bases precaríssimas! É o blábláblá da informação para “formação de cidadania consciente” (eu gostava dessa expressão quando, com 16 anos, pensava-me intelectual de esquerda!).

A mídia é leviana e medíocre. As pessoas curtem banalidades, que lhes dão a sensação de serem informadas. As notícias são triviais, fumaça nos olhos. São desnecessárias e inflam o nome de famosos (gente que tem visibilidade midiática) mesmo que medíocres. Notícias que não deveriam ser levadas a sério são dadas como “descobertas científicas” que sempre (curioso!) colocam em xeque o estabelecido, o cristianismo, a moralidade, etc. Vez por outra vejo balões de ensaios dizendo que se descobriu o gene da violência ou o do adultério. O caráter deixa de ser produto de decisões para ser reflexo da biologia. A culpa não é nossa. É dos genes. Enquanto esta teoria não cola, há outras: a culpa é do condicionamento social, de nossos pais, da sociedade, etc. Responsabilidade pessoal? Nunca!

A Bíblia incomoda a sociedade moderna e alguns evangélicos. Ela nos retrata bem. Mostra quem somos: pecadores assumidos, conscientes, rebeldes contra Deus. Por isso ela é combatida e negada. Em muitas igrejas é substituída pela voz do Grande Guru, que só “profetiza” coisas boas. Outros preferem seus insights, que chamam de “revelação”, ao seu ensino claro. A Bíblia diz que não somos coitadinhos, vítimas de circunstâncias, dos astros ou do número de letras de nosso nome. Fazemos escolhas. Escolhemos entre ser bons ou maus, entre viver com ou sem Deus, em sermos medíocres ou gente que acrescenta e que marca vidas. Até na igreja. Escolhemos ser opacos ou engajados.

Em 2011, aprofunde-se na Bíblia. Comprometa-se a lê-la, toda, no ano. Bastam três capítulos por dia e cinco no domingo. Leia informação boa e segura, vinda de Deus, não a banalidade humana. Leia-a para ser sábio e não um matraqueador de frases do mundo. Você será sábio mesmo! “Eu entendo mais do que todos os meus professores porque medito nos teus ensinamentos. Tenho mais sabedoria do que os velhos porque obedeço aos teus mandamentos” (Sl 119.99-100). Leia a Bíblia e não seja fraudado pela mediocridade do mundo."



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Kit pró-gay nas escolas públicas para crianças de 7 a 10 anos de idade

Por favor, vejam esse vídeo!!!

Deputado Jair Bolsonaro, do PP do RJ, fala sobre projeto aprovado para distribuir kits com DVD's com mensagens homossexuais às escolas públicas de crianças de 7 a 10 anos de idade!

Isso é um absurdo!! Precisamos fazer algo! Enquanto Cristãos, não podemos ficar calados e omissos em relação a isso. Precisa haver algo a ser feito! Precisamos nos mexer!

Veja, divulgue, distribua, e pensemos no que há mais para ser feito.

Deus nos dê coragem e ousadia para fazer algo!



Deputado JAIR BOLSONARO (PP- RJ) - Sem revisão do orador


Sr. Presidente, meus companheiros, quero tratar de um assunto que, no meu entender, em 20 anos de Congresso Nacional, é o maior escândalo de que já tomei conhecimento. Não tem nada a ver com corrupção. Afinal de contas, esse é um tema corriqueiro neste Governo.

Na semana passada, houve reunião na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, em conjunto com a Comissão de Educação, com a presença do Sr. André Lázaro, Secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, do MEC. Estava presente uma plateia composta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Essa turma toda reunida tomou decisões de que esta Casa não está sabendo. E digo mais: a maioria dos integrantes da Comissão de Educação também não está sabendo dessa decisão.

Atenção, pais de alunos de 7, 8, 9 e 10 anos, da rede pública: no ano que vem, seus filhos vão receber na escola um kit intitulado Combate à Homofobia. Na verdade, é um estímulo ao homossexualismo, à promiscuidade. Esse kit contém DVDs com duas historinhas. Seus filhos de 7 anos vão vê-las no ano que vem, caso não tomemos uma providência agora.

Primeira história: um garoto de mais ou menos 14 anos, de nome Ricardo, vai ao banheiro fazer pipi, olha para o lado, vê um coleguinha dele fazendo pipi também e se apaixona por esse colega. Vocês da galeria estão ouvindo? Isso está no Jornal da Câmara da semana passada. Isso pode ocorrer com o filho de vocês um dia. Ele se apaixona, resolve vencer o bullying e assumir sua homossexualidade. Os garotos de 7, 8, 9 e 10 anos vão assistir a esse filme no ano que vem.

Vamos às cenas do filme dali para frente. Quando a professora o chama de Ricardo na sala de aula, ele se revolta, morde os beiços com seus trejeitos e balbucia: Bianca. Meu nome é Bianca.

No final, esse filme dá a seguinte lição de moral: esse comportamento do Ricardo ou da Bianca passa a ser um comportamento exemplar para os demais alunos.

Depois há outro filme de duas meninas lésbicas, de aproximadamente 13 anos de idade, namorando. A grande discussão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias — sinto asco ao me referir a essa Comissão — é tratar do beijo lésbico de duas meninas.

Atenção, pais, no ano que vem, sua filha de 7, 8, 9 ou 10 anos vai assistir a esse filmete, que já está sendo licitado. A grande discussão da nossa Comissão de Direitos Humanos e Minorias é a profundidade em que a língua de uma menina tinha que entrar na boca da outra menina. Dá para continuar discutindo esse assunto? Dá nojo!

Esses gays e lésbicas querem que nós entubemos, como exemplo de comportamento, a sua promiscuidade. Isso é uma coisa extremamente séria.

O Presidente da Câmara dos Deputados tem que tomar providências no tocante a esse assunto. Nós não podemos submeter-nos ao escárnio da sociedade. Esse kit, destinado a crianças de 7 a 12 anos, será distribuído no ano que vem para 6 mil escolas públicas do Brasil. Isso é uma vergonha!

Comissão de Direitos Humanos, não; Comissão... Para não ser advertido pelo discurso, vou poupar o adjetivo para essa Comissão. Eles querem, inclusive, excluir-me da Comissão, sob a alegação de ser eu um elemento antidemocrático.

Essa história de homofobia é uma história de cobertura para aliciar a garotada, especialmente os garotos que eles acham que têm tendências homossexuais. Está na pesquisa, publicada aqui, o número de garotos gays ou de meninas lésbicas, repito, de 7, 8, 9 e 10 anos.

Pelo amor de Deus, meus colegas que estão nos gabinetes! Pelo amor de Deus! Daqui a pouco vem aqui um cidadão dizer que estou mentindo. O que está acontecendo está publicado no Jornal da Câmara, está publicado no Correio Braziliense, está publicado em vários jornais do Brasil.

Ontem eu participei da gravação do programa da Luciana Gimenez. É um tema que... Não me agrada falar em homossexual. Eu realmente assumo o que disse na TV Câmara: se um garoto tem desvio de conduta logo jovem, ele deve ser redirecionado para o caminho certo, nem que seja com umas palmadas.

Acusam-me de ser violento, mas não sou promíscuo, não sou canalha com as famílias brasileiras!

Muito obrigado, Sr. Presidente.


Fonte: Câmara dos Deputados - Plenário - Pequeno Expediente - 30/11/2010 - 14h56min (início)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Cristãos contra o PL 122/2006 e pela liberdade de expressão: junte-se e divulgue!

006 - Em defesa da liberdade de expressão religiosa

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro.

Para ampla divulgação.
 

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Perigo de um Mau Instrutor

[Por: Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho]

Pastoral do boletim da IBC de Macapá, 28.11.10


Manhã cedo, vinha para a igreja, com Meacir. A Av. Pe. Júlio é nosso caminho (cá pra nós: a Lagoa dos Índios é linda!). Em frente ao Santa Lúcia há uma faixa de pedestres e um deles a atravessava. O Ford Ka branco parou em cima da faixa. Já vinha irregularmente, sobre a divisória entre duas pistas de rolamento. O motorista falava ao celular. O pior: era um veículo de auto-escola. Não é à toa que o trânsito é como é. Os instrutores não praticam o que ensinam. Assim, há alunos que aprendem macetes para conseguir a habilitação, mas que não sabem dirigir. Apenas fazem o carro andar. Os instrutores são cegos guiando cegos. Bem disse Jesus: “… se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco” (Mt 15.14).

Na vida espiritual isso é terrível. A igreja de Jesus deveria ser modelo para o mundo, mas padece dos mesmos problemas do mundo. Deveria instruí-lo no caminho do Senhor, pois o conhece, mas o transgride. Parte da desorientação do mundo se deve à falta de sinalização clara por parte da igreja. Os crentes brigam por picuinhas, as igrejas se dividem por estilo musical e lutas por poder, têm rachas por liderança e dinheiro. Depois dizem ao mundo que “Jesus dá paz”. O mundo olha para a igreja e vê gente briguenta! Vê gente na trincheira, defendendo seus pontos de vista com unhas e dentes, e usando Deus como pretexto. Não a leva a sério.

Um instrutor de trânsito deve cumprir o que ensina. E a igreja deve viver o que prega. Veja esta dura crítica de Paulo aos judeus: “Mas se tu és chamado judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; e conheces a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído na lei; e confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, instruidor dos néscios, mestre de crianças, que tens na lei a forma da ciência e da verdade; tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve cometer adultério, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, roubas os templos? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Assim pois, por vossa causa, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios”(Rm 2.17-24). Tire “judeu” e coloque “cristão”. Tire “lei” e coloque “evangelho”. Não nos diz respeito?

A questão é: vivemos o evangelho? Internalizamos em nossa vida as exigências do reino ou as formulamos para os outros? Seguir a Cristo é muito mais que ter uma passagem de primeira classe por este mundo, buscando bênção e cantando que “nenhum mal chegará à minha casa”. É aceitar o chamado para a santidade!

Generalizar é problemático, mas a radiografia da igreja evangélica no Brasil é de uma igreja doente. Ela tem elefantíase e pensa que é forte. Sofre de DDA (Distúrbio de déficit de atenção) e pensa que é ativa no Senhor. Confunde barulho com santidade. Sabe o que deve fazer e diz aos outros, mas nem sempre faz.

Precisamos de membros de igrejas saudáveis. Comprometidos, misericordiosos, envolvidos com o reino e solidários com o todo. Há muitos queixosos e poucos engajados. Não “queime” a faixa, não ande em duas pistas e não se distraia. Sabendo o que deve fazer, faça-o. “Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes” (Jo 17.13).

 

sábado, 20 de novembro de 2010

Digno é o trabalhador do seu salário



"Digno é o trabalhador do seu salário" (Lucas 10.7)

Ninguém trabalha de graça. Seja no que for que você é formado, em que tipo de atividade você invista seus dons e energias, seu trabalho merece remuneração, e você trabalha esperando a adequada remuneração. É assim com todo mundo. Por mais generoso que você seja, após ter investido seu tempo e seus recursos em uma determinada formação, você espera receber o seu retorno também.

É interessante que, mesmo referindo-se aos pregadores ou obreiros do Evangelho, Jesus fala isso. “Digno é o trabalhador do seu salário”. Essa é uma verdade. Mas muitos, para não dizer a maioria, dos cristãos de nossos tempos têm se esquecido disto todas as vezes que recorrem à pirataria para adquirir seus CD’s, DVD’s, filmes, livros tão desejados.

Não bastasse a pirataria ser CRIME declarado pelas leis internacionais e, portanto, todo aquele que a comete é considerado um criminoso – papel que não deve ser vivido por nenhum cidadão direito, quanto menos por um cristão - , temos esta declaração de Jesus, e mais muitas outras verdades bíblicas que condenam claramente essa prática.

Em nada você seria justificado se chamasse um eletricista pra fazer um serviço em sua casa e, ao final do trabalho, dissesse pra ele que não poderia pagá-lo porque não tem dinheiro. Você terá o enganado e roubado o seu direito se receber seu salário. Se você não tem dinheiro para pagar o serviço de um eletricista, você simplesmente não o contrata. Se você não tem dinheiro para comprar um remédio quando está doente, você não entra numa farmácia e rouba o medicamento porque você está necessitado. Sua necessidade e sua falta de recursos para suprí-la jamais justificariam um roubo. E quando você contrata o serviço e não paga devidamente por ele, você está roubando.

Pirataria é isso! Não sei se nos lembramos, quando fazemos uma cópia pirata do CD, DVD ou livro que tanto gostamos, que para que aquele material fosse lançado, algum TRABALHADOR teve que investir nele – seu tempo, energias e recursos. Da mesma forma como um médico, jornalista, pedreiro investem em seus ofícios. O cantor ou o escritor que produziram seus materiais também são trabalhadores dignos de seus salários. Aquele CD não chegou às lojas caído do céu. Houve investimento nele e, por isso, usufruí-lo tem um preço.

Se o preço de um serviço é caro ou não, isso também não lhe dá direito de deixar de pagar por seu uso. Quem define quanto irá cobrar por seu atendimento é o profissional e não o cliente. Ou, por acaso, você chega na escola do seu filho e é você quem escolhe quanto irá pagar de mensalidade? Se você não tem condições de pagar por uma certa escola, então você procurará uma que custe menos e esteja dentro de suas condições. Se você vai em uma loja comprar uma televisão e acha que ela está muito cara, você não simplesmente a rouba e leva pra sua casa de presente. Isso é crime! E é por isso mesmo que pirataria também é crime!

Se você não tem dinheiro para comprar o novo CD ou DVD da sua banda favorita, você não o compra! É simples assim. Quando você tiver condições de adquirir aquele bem, de pagar por aquele serviço, você vai lá e adquiri-o. Se você não tem condições de comprar aquele livro maravilhoso que seu amigo tem, você pede o livro emprestado, lê e depois devolve ao dono (que pagou o preço que era devido àquele bem!). Sua falta de dinheiro não justifica que você tome posse ou faça uso de um bem pelo qual você não pagou o preço devido. Se você faz isso, você está roubando.

Sua “boa motivação” também não justifica que você faça seu algo pelo qual você não pagou. Se é meu aniversário e você, por tanto gostar de mim e saber como quero ganhar uma bicicleta, quer me dar esse lindo presente, mas não tem dinheiro para compra-lo, não é por isso que você entrará numa loja de bicicleta, rouba uma e satisfaz meu desejo ou necessidade. Quem faria uma coisa dessas e se acharia puro e inocente?

Gente, é assim que nos comportamos todas as vezes que emprestamos um CD, um DVD, um livro ou qualquer outra coisa que seja, que foi produzida por um preço e, portanto, tem um custo, e fazemos a "nossa cópia",e usufruímos disso sem lhe dar o pagamento correto. Quando, sem intenção de prejudicar alguém (no caso, o produtor do material), muitas vezes até com a intenção de “abençoar alguém”, baixamos algumas musiquinhas da internet, gravamos um lindo CD e damos de presente pra alguém. Quando tiramos xerox dos nossos livros preferidos. Meus irmãos, ISSO É PIRATARIA!

Pirataria não é apenas você ir em um vendedor de “artigos piratas” e comprar uma dúzia de CDs por R$20,00, ou então você fazer cópias de materiais para vender. Segundo o Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP), “De acordo com o CNCP (Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual), entende-se por pirataria a violação aos direitos autorais de que tratam as Leis nº 9.609 e 9.610, ambas de 19 de fevereiro de 1998.”. Portanto, todas as vezes que você faz uso de produtos protegidos por direitos autorais sem ter pago o preço cobrado pelo mesmo, de acordo com seus autores ou produtores, você está cometendo pirataria.

Se o autor ou produtor decidir não cobrar nada por seu serviço ou produto, muito bem. Seja livre e feliz em usufrui deles! Principalmente no meio cristão, muitos cantores ou autores liberam suas obras para download e estimulam sua distribuição. Fazer isso, portanto, não viola seus direitos autorais. Mas, caso não haja uma liberação direta nesse sentido, o produto precisa ser adquirido mediante pagamento de seu preço.

Você não tem dinheiro? Contenha-se com o que pode obter, então. Digno é o trabalhador de seu salário. Não roube-o isso.

Ser cristão envolve cada pequeno detalhe de nossas vidas. Honremos a Deus com cada um deles.

A graça e a paz do Senhor!



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Os enganos do Legalismo: minha experiência



Já tem um tempo que quero falar sobre os enganos do legalismo, e como isso afetou minha vida em todos os sentidos. E, agora, lendo alguns versículos de Romanos, encontrei palavras que pareciam descrever claramente minha experiência.

“Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. Não seja, pois, blasfemado o vosso bem; Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros. Não destruas por causa da comida a obra de Deus.” (Romanos 14:15-20)

Quem acompanha meus blogs, principalmente o Sonhando na Contramão, pôde acompanhar um período em que passei a escrever muito, e a criar discussões aqui, sobre questões do judaísmo messiânico. Isso aconteceu entre o ano passado e início deste ano. Muitas coisas foram abordadas, como as celebrações das festas judaicas, a necessidade de guardar os mandamentos da lei de Moisés, a observação do Sábado, questões alimentares e a utilização de termos e nomes judaicos no lugar das palavras usadas em português. E eu, durante muito tempo, defendi todas essas coisas.

Mas acontece que as coisas mudaram drasticamente em minha vida neste ano, e eu não receio em afirmar que Deus abriu os meus olhos. Aquelas palavras que Paulo falou aos Romanos, foram as coisas que o Senhor falou, e tem falado a mim. Não apenas em relação a “questões judaizantes”, mas também outras questões, como a própria modéstia, que me fizeram conhecer a natureza legalista que existe em mim, o risco de sermos transformados em fariseus que existe em todos nós.

Sim, em todas essas coisas, principalmente na mentalidade de que eu deveria defender os conceitos do judaísmo messiânico, que parecem tão corretos e dignos de apreciação, e na forma como passei a entender modéstia como regras com uma importância acima de muitas coisas, eu me tornei legalista. Me vi nitidamente como os fariseus sobre os quais a Bíblia fala. Pude entender o que Paulo falou sobre seus irmãos israelitas, quando disse que eles têm zelo pela Palavra, porém sem entendimento. É isso mesmo. Eles conheciam e defendiam a letra da Lei, mas não o Espírito da Lei. E zelo sem entendimento, e letra sem espírito, só podem gerar morte. Por isso Paulo repete tanto que a Lei leva à morte, mas a Fé, pela Graça de Deus, gera vida.

Pela Graça de Deus, e somente por isso, eu pude compreender todas essas coisas, e olhar pra minha própria vida e ver como isto era realidade em mim. Nestes versículos do capítulo 14 de Romanos, Paulo fala sobre o cerne da vida cristã: AMOR! Ele fala que este deve ser o fim de tudo aquilo que fazemos: o amor a Deus E, com importância imensa, o AMOR POR NOSSO PRÓXIMO! É o que tenho entendido nestes últimos tempos: nossa vida cristã deve estar baseada em amor, em RELACIONAMENTO com os outros. Nossa pergunta deve ser: a fé que tenho vivido e defendido tem me aproximado ou me afastado das pessoas? Tem construído relacionamentos ou destruído-os?

Todo o meu zelo pela “Lei” (a LETRA da Lei), todo o meu zelo pelos “autos-padrões” de modéstia com todas as suas regras, me levaram a um fim horrível: me afastei das pessoas mais preciosas de minha vida, e afastei as pessoas que me amavam de mim. Tornei as minhas “regras” pedras de tropeço nas vidas daqueles que me cercavam, magoei os que estavam comigo, quebrei relacionamentos e me isolei... porque eu achava que minha obrigação era “defender a Lei”, e se as pessoas não concordavam com isso, eu não podia fazer nada. Eu não entendia.

Uma coisa que preciso dizer é que minha motivação realmente era servir a Deus integralmente. Eu achava que defendendo o “Shabbat”, as “Festas Bíblicas”, as “Comidas Puras”, os “Nomes Originais do Hebraico”, eu estava sendo mais fiel a Deus, pois queria observar a Sua Palavra em TODOS OS ASPECTOS. Como eu entendo os fariseus agora. Eles eram tão dedicados em não deixar passar nem uma vírgula sequer da Lei, não se afastar nem um centímetro das ordens da Lei, que chegavam a aumentar as exigência que a Lei fazia... mas, com todo esse zelo, eles esqueceram da essência. E foi por isso que o Messias nos foi enviado. Jesus nos revelou a essência: o AMOR.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” (I Coríntios 13:1-3)

Eu já fiquei muito triste, decepcionada comigo mesma por ter caído nos enganos do legalismo, e pelos frutos que isso gerou no meio de minha família e de meus amigos mais próximos. Eu os feri muito em função disso. Fiquei triste e preocupada pelas defesas que fiz baseada em legalismo nos blogs, e pela possibilidade de ter influenciado vidas a serem enganadas pelo legalismo também. Mas, tenho aprendido que todas as coisas têm o seu propósito determinado, e que Deus permitiu (se não planejou) que eu passasse por tudo isso. Porque, por meio de meus erros, aprendi, e hoje posso falar com mais propriedade sobre os perigos disso. Tenho conversado com amigos que passaram por situações muito semelhante, e visto os caminhos que outros tomaram, e cada vez mais me convencido das ciladas que tudo isso caracteriza. Por isso, dou graças a Deus
por poder testemunhar a esse respeito hoje e, quem sabe, ajudar alguém que esteja passando por algo parecido. Que o nome do Senhor seja glorificado em tudo isso.

Ainda gostaria de salientar que não acho que todos, ou os principais, conceitos do judaísmo messiânico sejam errados em si mesmos. Eles não são. Como Paulo disse aos Romanos, a Lei é Santa e Pura e Boa. No entanto, o pecado que habita em nós se aproveita da Lei para nos enganar. O legalismo faz parte de nossa natureza caída. Foi por isso que os israelitas viveram e ainda vivem tão zelosos pela lei, mas tão distantes da essência da Fé: a Graça de Deus. E é por isso que escrevo todas essas coisas. Os enganos do legalismo são sutis, muitas vezes têm capas tão bonitas, discursos que parecem tão corretos... foi assim que me senti! Mas, uma coisa aprendi: nossos olhos precisam estar fixados na Graça de Deus, na redenção de Cristo em Sua cruz e ressurreição, e no Amor que nos foi ordenado por Ele. Toda doutrina que nos desvia destas coisas, acabará nos levando aos enganos do legalismo de alguma forma.

A Cruz de Cristo não precisa de adicionais ou complementos. É da mensagem da Cruz, que fala sobre a graça infinita de Deus para conosco, e do Amor que Ele quis nos ensinar, que nós precisamos. Tomemos cuidado com toda e qualquer coisa que queira substituir esta mensagem.

Por estes motivos, estou retirando do blog, tão rápido quanto tenho conseguido, os posts em defesa do judaísmo messiânico, bem como termos hebraicos. Gostaria de fazer isso com maior rapidez, mas não tem sido possível. Por isso, peço que desconsiderem estes termos quando lerem os posts passados, e compreendam tudo o que aconteceu. Novamente, não estou condenando o uso destes termos, o problema não está neles em si, mas na mensagem que eles podem passar – uma doutrina que vai além da Cruz de Cristo e que desvia nossos olhos dela. Como Paulo disse, não é de comida, nem de bebida, [e eu acrescentaria: nem de dias, nem de que idioma usamos para nos referir ao Senhor, nem de que festas celebramos...] que se constitui o Reino de Deus, mas de justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. De amor. De relacionamentos construídos, de ações baseadas na edificação dos outros, e não em nós mesmos.

Estou aprendendo...

Que a Graça de Deus, no Espírito Santo que nos foi concedido, continue a nos ensinar, abrir nossos olhos e nos livrar das ciladas...

"Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro" (Efésios 4:14)


Soli Deo Gloria.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Teologia da Paz e do Amor?

Como tenho percebido continuamente a facilidade com que somos enganados pelas vozes e doutrinas deste mundo. E como Satanás é sutil em suas armadilhas para ganhar nossas mentes e nos convencer de suas mentiras.

Ontem, eu estava passando por perto de uma televisão, ligada na “Rede Globo”, e ouvi rapidamente um comercial que falava sobre “O quanto as religiões dificultam a liberdade de expressão e limitam a igualdade de direitos entre todas as pessoas”! Cara, como aquilo me revoltou! A primeira coisa que pude falar foi de como essa tal de “Rede Globo” é instrumento do Diabo nesse mundo! É verdade que a televisão como um todo é instrumento de Satanás, mas depois de ver toda a família reunida na frente da televisão para assistir um monte de mentiras descaradas na novela “Escrito nas Estrelas” sobre o espiritismo, depois de ver a galera defendendo cenas homossexuais explícitas na outra novela, e depois de ver como tudo isso tem doutrinado a maior parte da sociedade moderna, me torna óbvio como que a Globo é do Diabo mesmo!

E, então, depois desse comercial falando das religiões, fiquei pensando, hoje, sobre o quanto essa idéia de que “o objetivo das religiões é semear a paz, o amor, a igualdade entre as pessoas, evitar os conflitos e fazer todo mundo feliz” tem se tornado a idéia de grande parte (pra não dizer a maioria) dos cristãos atuais.

Outro dia, ao abrir minha caixa de e-mails, fui ler um e-mail de um jovem filósofo, católico, muito amigo e muito admirado por minha família e pelo grupo de casais católicos que meus pais participam (Movimento Familiar “Cristão” - MFC), propondo um tema para discussão entre os jovens que iriam participar do Encontro Nacional do MFC neste mês. O tema era “O Jovem e a Religião”. A abordagem do e-mail era exatamente que devemos nutrir maior abertura para com todas as religiões existentes, que devemos aprender a respeitar as diferenças e somar os “pontos positivos” de cada religião à nossa forma de pensar sobre Deus, pois todas as religiões têm as suas verdades e não podemos ser fechados a elas. E ele falava sobre o espiritismo, as religiões afro-descendentes, budismo, islamismo e outras, colocando-as no mesmo patamar do Cristianismo, defendendo a idéia de que “Não existe uma só verdade”. E aquele e-mail foi mandado para vários jovens, e aquele tema seria discutido entre eles. Pena que não pude estar lá.

Mas o fato é que, infelizmente, essa é a idéia massificada a respeito de “religião” em nossos dias. Nós vivemos num mundo tido como “Politicamente Correto”, cujo lema é: “Todos somos iguais, todos temos os mesmos direitos e não existem verdades absolutas, portanto ninguém pode contrariar as verdades de ninguém”. É assim que Satanás tem ensinado este mundo a receber e apoiar o homossexualismo, a liberação sexual, o divórcio, o aborto e tantas outras coisas. E o fato lastimável é que nós temos, ainda que sem querer, permitido que essa política de relativismo moral entre em nossas mentes, em algum ponto, e passe a determinar no mínimo parte de nossas doutrinas ou valores.

Parece tão correto dizer que o objetivo das religiões, que nosso objetivo enquanto cristãos deve ser promover “a Paz e o Amor” entre todas as pessoas, e fazer o que estiver em nosso alcance para que todas as divisões, todos os conflitos, todas as diferenças sejam extintas, para que todos estejam bem e satisfeitos e, assim, todos vivam felizes. Não parece um sermão de um púlpito “cristão”? É tão bonito falar e defender todas essas coisas, são pensamentos coerentes e parecem tão sábios.

Mas será que esse foi o objetivo de Cristo ao vir a este mundo? Será que foi isso que Ele nos chamou a fazer neste mundo? Será que era isso que Deus tinha em mente ao enviar a Cristo e ao salvar-nos do pecado, ainda que mantendo-nos neste mundo por algum tempo? Será que essa é a proposta que a Bíblia nos ensina?

E, então, me vieram à mente algumas das muitas palavras do próprio Jesus ao falar sobre sua missão, seu propósito e o chamado dele para nós, Cristãos:

“Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra.” (Mateus 10: 34)

“Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos” (Mateus 10:16)

“Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mateus 10:22)

Ow!!! Alguma coisa está parecendo fora do lugar aí? JESUS proferindo palavras assim? Dizendo que não veio trazer paz ao mundo, mas sim espada? Dizendo que veio causar divisão dentro da própria família, entre pais e filhos? Dizendo que seríamos odiados por todos? Mas essas foram não somente as palavras, mas também o próprio testemunho de Jesus, de Seus discípulos e apóstolos, dos Profetas que vieram antes dele e de cada um daqueles que obedeceu ao Seu chamado, segundo a Bíblia nos relata.

Basta lermos um pouco que seja as nossas Bíblias e veremos que ela não é um livro sobre “Contos de Fadas” e “lindas histórias românticas”. Deus nunca trabalhou com o objetivo de fazer todo mundo viver em paz e harmonia, e Ele nunca prometeu isso àqueles que Ele chamou – não neste mundo presente. Não há dúvidas de que recebemos promessas de paz, de descanso, de alegria plena, de ausência de dores e lágrimas em Cristo, mas não neste mundo, não nesta vida, senão na vida eterna com Cristo, no estabelecimento do Seu Reino.

Mas, por que estou falando sobre isso? Porque é incrível o poder que esta mentalidade de “Paz e Amor é o que importa-nos fazer” tem para nos acovardar, para nos calar e amedrontar quando devemos defender as verdades bíblicas que Jesus veio nos ensinar! É incrível que, quando qualquer pessoa ao nosso redor nos diz que estamos “perturbando a ordem das coisas”, que não estamos sendo “pacificadores ou amorosos” pelo fato de estarmos confrontando o erro ou o pecado existente neste mundo, como isso nos afeta! Nossas mentes logo são direcionadas para essa mentira que nos foi ensinada como verdade, e tendemos a realmente questionar se o que estamos fazendo é o correto, se realmente não deveríamos nos calar para não contrariar a ninguém, não chatear a ninguém e não “fazer alguém menos feliz”. Quanta mentira tem sido semeada em nossas mentes!

A verdade é que Jesus foi quem nos avisou, quem nos PROMETEU, quem nos garantiu que não viveríamos em paz aqui – porque somos enviados como ovelhas para o meio de lobos; porque não somos deste mundo, assim como Ele não é; porque assim como o mundo O perseguiu, assim também perseguirá a nós que O seguimos; porque assim como o mundo não recebeu as Suas palavras, não receberá as nossas; porque o Evangelho é loucura para este mundo e aqueles que se perdem; porque os homens odeiam a Deus e não querem saber dEle e de Sua verdade. Não é assim que é este mundo? Por isso Jesus nos exortou a nos guardar deste mundo mau. A não nos amoldar a ele. A defender a verdade da Palavra, ainda que este mundo não a queira ouvir. E não há dúvidas de que não é possível fazer isso tudo e viver em contínuo conforto, paz, harmonia, alegria neste mundo, e COM este mundo. Não dá pra ser amigo deste mundo e amigo de Deus ao mesmo tempo. Não dá pra servir aos dois senhores, pois iremos agradar a um e desagradar ao outro.

Portanto, precisamos combater essa idéia mentirosa e enganadora de que nosso objetivo maior é manter a paz e a ordem neste mundo, nunca desagradar a ninguém, nunca confrontar, nunca mostrar o pecado, nunca tocar nas feridas e fazê-las doer, nunca contrariar, mas sempre aceitar qualquer coisa que seja. Não é assim! Não foi pra isso que fomos chamados. Nosso chamado foi para proclamar a verdade, ainda que pra isso seja necessário haver divisão entre pai e filho, entre mãe e filha, entre nora e sogra, pois “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim” (Mateus 10:37-38).

É claro que isso não quer dizer que, no outro extremo, devemos viver em constante guerra e nunca nos preocupar com os outros, nunca procurar manter a paz onde estivermos. A Bíblia também nos fala que, quanto depender de nós, devemos manter a paz com todos os homens. Devemos ser testemunhas a eles, tanto sobre a justiça quanto sobre o amor do Pai. A verdade é que devemos vigiar e tomar cuidado com os extremos – eles nunca são o caminho correto. Nosso andar, nosso agir, não deve ser nem guiado pela mentalidade “Paz é o que importa”, nem pela mentalidade “Não quero saber de Paz em momento nenhum!”. Não foi nenhum desses o exemplo que Jesus nos deixou.

Fiquemos com as palavras de Cristo: “Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10:16). Esse deve ser o nosso padrão.

Que a Graça de Deus nos dê a sabedoria que precisamos pra aprender a viver assim.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O falso evangelho "Paz e Amor" e as Distorções do Sofrimento II



Meu pai teve uma infância bastante humilde. Meu avô não tinha estudos, e sempre trabalhou em coisas muito simples, como construção ou como sapateiro. Minha avó sempre repete que ele nunca ganhou mais do que um salário mínimo. E ela nunca trabalhou, apenas ficava em casa cuidando dos filhos e administrando os custos. E meu pai sempre me contou as histórias sobre este tempo da sua vida.

Meus avós tiveram apenas dois filhos, ambos homens. Mas, além deles, tenho ainda duas tias, que eram filhas de familiares da minha avó que não tinham condições de criá-las e minha avó recebeu-as como suas filhas. E elas não foram as únicas que foram recebidas por meus avós. E todos eles sempre foram sustentados com um único salário mínimo.

Não lembro bem a partir de quando, mas acredito que desde a infância, pré-adolescência e, principalmente, durante a adolescência e juventude, eu e meu pai desenvolvemos um hábito que marcou minha história: deitarmos numa rede, ouvindo aquelas músicas bem antigas, e conversarmos. E era nesses momentos que meu pai me contava as suas histórias.

Eram histórias de um menino que viveu em uma família pobre, sem condições de sequer ter mais de uma camisa pra ir ao colégio. Ele me contava como usava um mesmo uniforme do colégio por anos, como era ter que usar uma blusa furada debaixo do braço por tão velha que era, ou como era ter um caderno formado por várias folhas de papel almaço furadas e amarradas com um fio. Sim, parecem lembranças doloridas, mas havia muito mais do que isso. Havia também as histórias das brincadeiras nas ruas, com todos os moleques da vizinhança, de como todos eram amigos, como aprontavam juntos e inventavam seus próprios brinquedos e brincadeiras – e o quanto isso era divertido. Havia as histórias dos banhos de chuva, ou das vezes que uma simples poça de água já dava um banho cheio de diversão. Ah, e as histórias das viagens para o interior? Essa era uma das partes que eu mais gostava – quando ele e seus primos iam pra um interior, com algum tio, pra uma casa bem humilde, sem energia e sem conforto, mas que aproveitavam cada momento juntos. A única história que concorre com essa é a de como meu avô, com toda a sua simplicidade, com toda a falta de dinheiro, sempre chegava da rua com um pastelão para os meninos – e como era grande a festa sempre que isso acontecia! Eram histórias de uma infância feliz, ainda que com muitas limitações financeiras.

Ah, não sei se todos podem imaginar o quanto essas histórias simbolizam em minha vida. Quantas vezes, ao ouvi-las, não precisei engolir as lágrimas, enquanto meu coração se despedaçava por dentro ao pensar no que tem acontecido com as crianças de nossos dias. Como eu abriria mão das horas passadas em frente ao computador, durante minha adolescência e juventude, por uma viagem ao interior, sem conforto nenhum, somente para estar junto de pessoas queridas e curtir suas companhias. Como é horrível pensar em quais as lembranças e as histórias que as crianças de nossos tempos terão para contar. Quantos brinquedos tinha, quantos esportes aprendeu, com quantos anos aprendeu a mexer no computador, e como os seus pais precisavam trabalhar o dia inteiro para oferecer-lhes tudo isso. Como elas foram proibidas de serem crianças.

Minha infância ainda foi muito legal, ainda conseguir vivê-la numa época menos ruim do que a que vemos hoje. Ainda fugi de casa pra brincar da rua, e brinquei muito na rua com meus vizinhos, andando de patins, brincando dos muitos “pira-alguma-coisa”, entrando nas construções dos outros para “investigar o local”, pegando flor dos jardins dos outros, fofocando com as amiguinhas, indo pra casa delas brincar de boneca e muitas outras coisas. Sinceramente, sinto falta do meu tempo de infância. Eu conhecia todas as pessoas que moravam na minha rua. E acho que passava pelo menos 50% do meu tempo nas casas delas. Hoje, infelizmente, ninguém mais sai das suas casas, a não ser dentro de seus carros com película, e o único contato que temos uns com os outros é através de um aceno por trás do vidro dos carros.

Fico pensando como estará o mundo quando os meus filhos nascerem. E, desde muito cedo, me determinei que farei o que puder para que eles sejam CRIANÇAS, tanto quanto eles puderem. Que eles correrão nas ruas, descalços, pulando nas poças de água, caindo e ralando o joelho, tomando banho de chuva, brincando com as crianças da vizinhança, inventando seus brinquedos e brincadeiras, gritando, chorando, e rindo muito. Que eles terão histórias pra contar.

Sabe, muitas vezes, sozinha em meu quarto, eu e Deus, quando ainda era uma adolescente, eu chorei dizendo a Deus como eu trocaria minha vida confortável de classe média, mas tão cheia de limites impostos por uma sociedade fria, pelo custo que o dinheiro nos cobra, cheio de “deveres” e com tão poucos “direitos” de ser gente, como eu trocaria esse estilo de vida tão “confortável” por uma vida como a que meu pai teve. Saber curtir cada pequeno detalhe, saber valorizar as coisas pequenas, como um pastelão, um amigo de rua, uma chuva, ao invés de me preocupar tanto com roupas novas, novos programas de bate-papo na internet ou coisas do tipo. Lembro-me bem de quantas vezes, com lágrimas, disse a Deus do quanto eu gostaria de saber como é viver a simplicidade e a humildade de quem não tem dinheiro, ou vive com tão pouco. Nós tendemos a nos tornar tão egoístas, mesquinhos, individualistas neste nosso mundo sem nenhuma necessidade. Mas meu coração sabia que, ainda que todos dissessem que o que importava era o “meu mundinho”, havia mais mundo além dele.

Por isso fico triste ao ver o que as pessoas fizeram com seus “objetivos de vida”. Nem mesmo sei se a maioria delas realmente tem um “objetivo de vida”. É mais fácil somente reproduzir a vida que todo mundo tem. Procurar os seus interesses, estar “feliz”, “viver bem”, ter uma vida “confortável”. “É isso o que importa!”. Mesmo? Será mesmo que é “isso o que importa”? Não, eu não acho! Acho que a vida é muito mais do que isso e, de verdade, quem vive sempre no seu mundinho “Paz e Amor” geralmente entende muito pouco de um mundo no qual tantos vivem tão cheios de sofrimentos, lutas diárias, dores, limitações, mas que, ainda assim, através de todos esses sofrimentos, aprendem a valorizar o que realmente importa. Aprendem que não é o dinheiro que determina o valor da vida, na verdade, este valor sequer pode ser comprado pelo dinheiro!

Tenho uma tia que é freqüentemente condenada por várias pessoas da família, em função de não trabalhar e de sua família viver de uma forma um pouco humilde, e de ter 4 filhos. Como as pessoas gostam de falar mal dela e da sua família. “Porque as crianças nem tem brinquedos!!!”; “Porque as crianças não tem uma roupa nova pra vestir!!!”; “Porque as crianças tem que estudar em escolas públicas!!!”; lálálálálá... Mas como eu amo aquelas crianças! Como fico feliz ao vê-las, porque, muito diferente da maioria das crianças de famílias “cheias do dinheiro” que eu conheço, aquelas crianças tem VIDA. Elas são FELIZES! Isso é algo muito lindo nelas!!! Elas estão sempre rindo, SEMPRE! Todas se reúnem para brincar juntas, e nunca falta uma brincadeira, um sorriso, um barulho dentro daquela casa! É uma casa simples, de alvenaria, sem nem pintura na frente, sem nem mesmo um muro. Mas é uma casa que tem VIDA. Eu amo muito minha tia e, ainda que ela tenha seus problemas, realmente a admiro, da mesma forma que seu marido, porque uma coisa eles são de verdade: PAIS. Acho tão lindo como meu eles, toda semana, levam as crianças à locadora para locar vários filmes para eles assistirem juntos no fim de semana; como eles sempre se programam pra levá-las pra passear em uma praça, num parquinho simples e sem muito “requinte”, ou como minha tia sempre dá um jeito de fazer um bolo ou uma pizza pra eles, ou como meu tio consegue preparar brinquedos pra eles com algum pedaço de madeira ou uma casinha a partir de uma janela velha. Fico muito feliz ao ver a forma como eles se curtem, como confiam um no outro, como eles se conhecem. Eu ainda não encontrei nenhuma criança de família cheia de dinheiro que seja tão feliz, espontânea, cheia de vida como esses meus primos. E existe mais um aspecto lindo neles: eles são crianças puras! É lindo ver a inocência que existe neles, ao invés do individualismo das crianças que são ensinadas apenas a pedir e a fazer cena quando não ganham o presente que querem.

As distorções do sofrimento. Enquanto todos estão por aí dizendo “Tá amarrado” quando alguma luta aparece em sua vida, porque “o que importa é estar vivendo bem”, eu confesso pedir a Deus, algumas vezes, que me permita sofrer mais, por amor a Ele, para que eu possa entender como vivem tantos destes que sofrem todos os dias, sem ter o que comer, sem ter uma família, uma casa para onde voltar, tantas destas crianças que estão nas ruas se humilhando e pedindo esmola, tantos dos pais que se sentem impotentes e fracassados por não terem um emprego, tantas das mães que não podem fazer nada ao ver seus filhos chorando pedindo comida. Sinceramente, eu me sinto tão pouco cristã, tão pouco seguidora de Cristo, por conseguir comer todos os dias, exageradamente, quando nem fome eu tenho, sem pensar em quantos estão morrendo de fome, por conseguir dormir todos os dias na minha cama super confortável, com meu ar condicionado delicioso e meus lençóis e edredons, sem pensar nos tantos que estão dormindo na rua, debaixo de chuva, sem uma coberta contra o frio, sem saber o que é ter a segurança de um lar. E eu peço que Deus me dê a dádiva de partilhar um pouco desse sofrimento, que Ele não permita que eu me acostume ao ver uma criança suja pedindo uma moeda na rua, que Ele não deixe que eu ache isso tudo normal. Que Ele não permita que eu me perca em meu egoísmo, egocentrismo que só pensa em meu próprio conforto. E que, por favor, Ele não me deixe convencer por todos esses falsos pastores que tem estimulado os fiéis a desejar ardentemente um carro novo, uma super casa e, o mais novo, a serem os mais jovens milionários do ano! Ah, que meu Deus não permita que isso aconteça com o meu coração! Mas que Ele me ensine a dar mais, a abrir mão dos desejos mesquinhos de ter uma roupa nova, ao invés de dar R$20,00 pra uma família que não tem o que comer. Que Ele me livre do meu próprio egoísmo.

Sim, eu realmente gostaria de viver essa experiência de não ter nada, ou de viver com o pouco. Porque eu tenho certeza de que as chances de eu aprender a confiar em Deus, na Sua Provisão, na Sua Mão que não deixa que nada nos falte, agora enquanto tenho tudo à minha disposição, em função do dinheiro que me é disponível todo mês, são muito menores e mais difíceis de se tornarem profundamente reais do que se eu dependesse completamente dEle em todos os sentidos todos os dias.

Essa é a herança que eu quero deixar para meus filhos, de que não é a quantidade de dinheiro, a marca da roupa ou a quantidade de brinquedos que faz alguém feliz, ou que faz a vida de alguém um sucesso. É a sinceridade e a força com que você se preocupa com os outros, mais do que com você mesmo. Eu quero sim que eles vivam bem, mas, se for pra faltar alguma coisa, prefiro que falte o dinheiro do que o sentimento de amor e solidariedade para com o próximo. Quero que eles aprendam a desejar o dar de si ao outro. Quero que eles aprendam que suas vidas não foram dadas por Deus para que eles vivam por si mesmos, mas para que eles vivam por Deus e pelo outro. Quero que eles desenvolvam a vontade e a necessidade de compartilhar daquilo que eles tem, ainda que seja pouco. Que eles tenham um pouco mais de força para lutar contra as doutrinas egoístas e mesquinhas deste mundo e, infelizmente, de tantas das igrejas por aí espalhadas.

Sim, se Deus quiser me dar muito dinheiro, amém. Mas não pra mim, não pra ganhar o título de “pessoa próspera”, não pra ter o carro mais novo do ano, não pra ter uma casa com 10 quartos, ainda que só morem 4 pessoas nela. Não pra mim, mas para os outros, para aqueles que nada tem, para os lutadores dessa vida. Mas, se Deus não quiser me dar muito dinheiro, e, ao invés disso, quiser me mandar para uma comunidade bem pobre, onde passarei necessidades, onde sofrerei a dor de não ter o que comer ou o que vestir, onde as coisas serão difíceis, amém também. Me sentirei muito honrada ao poder viver minimamente como viveram os profetas ou os apóstolos, ao poder sofrer o mínimo que seja para levar o Seu Amor.

Que a Graça de Deus nos livre de nossos próprios egoísmos e abra nossos olhos, mentes e corações para aprender a amar menos a nós mesmos, e a amar mais aos outros. Em nome de Jesus.

Somente a Ele seja a Glória.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O falso evangelho "Paz e Amor" e as Distorções do Sofrimento

Ultimamente algo em meu coração, que eu realmente acredito que seja o Espírito Santo de Deus, tem me incomodado a respeito de tudo o que se prega como sendo o "Evangelho de Cristo" atualmente. Eu já falei sobre isso várias vezes, mas acho mesmo que nunca será suficiente todo o falar para terminar de descrever o incômodo que meu coração (e espírito) tem, continuamente, experimentado.

Confesso que, algumas vezes, nem sei mais o que pensar, como interpretar ou como "digerir" tudo o que tenho visto, consecutivamente, em cada igreja onde vou, em cada música ou, simplesmente, em cada comportamento ou "teorias de vida" de inúmeras pessoas que se chamam de "cristãs".

Sabe aquela passagem bíblica que diz que aqueles que vivem em Cristo são "peregrinos neste mundo", que eles "não são deste mundo", "não fazem parte dele"? Então. Nos últimos tempos tenho visto isso se tornar tão real dentro do meu coração. Mas esse é assunto para uma próxima postagem.

Hoje gostaria de refletir um pouco sobre uma doutrina estranha à Palavra de Deus, e ao Evangelho que Jesus pregou, mas que tem enchido os púlpitos de igrejas no mundo todo: o falso "evangelho" da "Paz e Amor", ou, para usar termos mais populares, a doutrina da "Prosperidade".

Quem nunca ouviu as frases: "Deus criou o homem para que ele seja Feliz!", ou "Tudo o que Deus quer é que você seja Feliz!", ou (mais popular) "Deus quer te abençoar, quer te fazer prosperar e ter paz, alegria, tranquilidade e muito dinheiro!!!"? Bom, acho muito difícil MESMO que, hoje em dia, alguém nunca tenha escutado uma frase como essas (especialmente dentro das igrejas!).

Mas, você já parou pra pensar a respeito disso? Por acaso alguém por aí já leu alguma passagem em que Jesus está falando para os seus seguidores: "Siga-me, amado, que assim você terá uma vida cheia de paz, alegria, muito conforto, segurança e nenhum conflito em sua vida - ah, e três casas, dois carros importados e um helicóptero também!"? Alguém já parou para perguntar ONDE ESTÁ ESCRITO QUE O OBJETIVO MAIOR DE DEUS É DAR CONFORTO AO HOMEM AQUI NA TERRA? ONDE ESTÁ ESCRITO QUE TUDO O QUE DEUS QUER É "NOS FAZER FELIZES" E NOS DAR UMA "VIDA BOA"?

De verdade, Deus realmente tem promessas para nós que falam nitidamente de paz, alegria, ausência de dor e sofrimento, segurança, conforto e prosperidade, mas NÃO AQUI NESSA TERRA. NÃO NESTE TEMPO PRESENTE. Não é que Deus não nos dê "Paz e Amor" aqui na terra, mas dizer que esse é O PRINCIPAL PROPÓSITO DE DEUS PARA NOSSAS VIDAS? Aí já é demais! Aí já é colocar Deus a serviço dos homens, e não OS HOMENS A SERVIÇO DE DEUS! De onde as pessoas tem tirado a idéia de que o Deus Todo Poderoso (ainda que nosso Pai, que quer o melhor para nós) é o "Gênio da Lâmpada Mágica" que está a nosso serviço, nosso "quebra-galho" para resolver todos os nossos problemas? Não é ELE que está a NOSSO SERVIÇO, somos NÓS (homens pecadores resgatados unicamente por Sua soberana Graça e Misericórdia) que estamos a serviço DELE! ELE É O CENTRO E NÃO NÓS!

No entanto, todos nós temos sido obrigados a engolir, domingo após domingo, pra não dizer dia após dia, a idéia de que nós estamos indo a Deus para que Ele RESOLVA OS NOSSOS PROBLEMAS!!!! Que absurdo!!! Nós estamos indo a Deus (ou os Seus verdadeiros Filhos estão indo a Ele) porque NÃO HÁ VIDA FORA DELE! PORQUE SOMENTE ELE É DIGNO DE TODA HONRA, GLÓRIA E MAJESTADE! PORQUE ELE É DEUS! Não tem a ver conosco - tem a ver com ELE!

"Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Respondeu Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus" (João 6:67-69)

Nos tem sido ensinado que o que importa é o nosso bem-estar, o nosso conforto, nossa "vida boa" - que é ISSO que Jesus veio nos trazer, que esse é o propósito de Deus para nós. No entanto, basta abrirmos nossas Bíblias para vermos que não foi assim que os discípulos e apóstolos de Jesus viveram! Não foi isso que Jesus pregou, mas Ele disse:

"Bem-aventurado os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós" (Mateus 5:10-12)

"Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos [...]. E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas [...]. Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo" (Mateus 10:16,17,22)

"O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?" (Mateus 10:24-25)

"Não penseis que vim trazer PAZ à terra; NÃO VIM TRAZER PAZ, mas ESPADA. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a SUA CRUZ e vem após mim não é digno de mim. QUEM ACHA A SUA VIDA, PERDÊ-LA-Á; QUEM, TODAVIA, PERDE A SUA VIDA POR MINHA CAUSA ACHÁ-LA-Á" (Mateus 10:34-39 - ênfase minha!)

"E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: TEM COMPAIXÃO DE TI, Senhor: isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, SATANÁS! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus e sim DAS DOS HOMENS. Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, A SI MESMO SE NEGUE, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, QUEM QUISER SALVAR A SUA VIDA PERDÊ-LA-Á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mateus 16:22-26 - ênfase minha!)

"[Pela fé] Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, NÃO ACEITANDO SEU RESGATE, PARA OBTEREM SUPERIOR RESSURREIÇÃO; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, NECESSITADOS, AFLIGIDOS, MALTRATADOS (>>>HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO<<<), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra. Ora, todos estes que obtiveram BOM TESTEMUNHO por sua fé NÃO OBTIVERAM, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados" (Hebreus 11:35-40 - ênfase minha!)

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo AMARIA o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, O MUNDO VOS ODEIA. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, TAMBÉM PERSEGUIRÃO A VÓS OUTROS; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa." (João 15:18-20 - ênfase minha!)

Cara, ainda que estes fossem os únicos versículos ou relatos bíblicos de homens chamados por Deus, ou de palavras do próprio Jesus, que diz e mostra que a vida que nos é proposta aqui nesta terra não é uma vida cheia de conforto, mas uma vida de perseguição pela causa de Cristo, uma vida em que devemos MORRER para que possamos VIVER, uma vida em que seremos odiados por vivermos em um mundo ao qual não pertencemos, uma batalha de cujas recompensas não usufruiremos AQUI NESTE MUNDO, mas no porvir, quando o Reino de nosso Messias for restabelecido, ainda que não houvessem outras inúmeras passagens bíblicas que afirmassem isso, apenas essas seriam suficientes para entendermos isso claramente!

Se nós tentarmos ganhar ou guardar a nossa vida, nós a perderemos! Mas se entregarmos, se perdermos a nossa vida por amor e pela causa de Jesus, somente assim nós poderemos ganhá-la de verdade!

Sinceramente, tem se tornado muito difícil pra mim frequentar cultos evangélicos (pra não falar das outras igrejas), porque não aguento mais os líderes repetindo 20 vezes durante o culto: "Eu não sei qual o seu problema nesta noite, não sei qual a sua necessidade, o que você está precisando, mas saiba de uma coisa: DEUS ESTÁ NESTE LUGAR!". Eras, de verdade, não aguento mais ouvir isso! Não aguento mais a forma como os líderes, os próprios pastores, têm transformado a igreja em um hospital, um consultório de psicologia ou uma sessão de auto-ajuda, onde tudo tem a ver com solucionar os problemas DOS HOMENS, e em última opção com LOUVAR E ADORAR AO ÚNICO DIGNO, AO SANTO DOS SANTOS, AO ETERNO DEUS, A JESUS CRISTO, NOSSO SALVADOR! O que foi que aconteceu? Acho mesmo que este é mais um sinal de que a volta de Cristo se aproxima, da apostasia sobre a qual Apocalipse fala.

Eu tenho ouvido tanta coisa nas igrejas por onde tenho passado. Tanto "Incenso estranho" sendo oferecido no altar do Senhor. Um dia desses uma pastora estava ministrando para mulheres e (pra variar) falando sobre "prosperidade", e fez um lindo comentário dizendo como Deus queria "abençoar as nossas vidas nas mínimas coisas", que certa vez uma "profetiza" profetizou sobre a vida dela de que ela receberia uma "unção de ganhar presentes"! (:O) E, animadamente, ela disse que tinha RECEBIDO aquela palavra e que realmente aquilo tinha se tornado uma verdade na vida dela, e que agora, por onde quer que ela passava, alguém dava um presente pra ela!!! E terminou o comentário perguntando "quem queria receber aquela unção também"!!! Eu só vi um monte de mulher pulando da cadeira e gritando um "AMÉM!!! EU RECEBO!!" bem alto!!! Eu também tive vontade de pular da cadeira, mas pra ir embora na mesma hora ou pra dar uma de Jeremias e abrir a boca (que o Senhor me dê essa unção de Jeremias!).

De verdade, eu fico pensando se Deus já tem abençoado tanto essa mulher que Ele não tenha nenhuma "unção" mais relevante pra vida dessa mulher do que a de "ganhar presentes"! Misericórdia! Onde nós vamos chegar? Que tal a unção do jovem rico de "vender todos os seus bens e os dar aos pobres"??? Essa não tenho visto muitas pessoas recebendo hoje em dia!

Não podemos continuar fingindo que nada disso está acontecendo. Não podemos continuar aceitando qualquer doutrina como sendo Verdades de Jesus, somente porque elas são pregadas em "igrejas evangélicas". Não podemos mais engolir qualquer coisa, só porque ela é boa de ouvir. Não foi esse Evangelho que Jesus veio pregar! Não foram assim que viveram os pais da fé, os cristãos da Igreja Primitiva, aqueles que tem nos ensinado, através das Escrituras, qual a Verdade! Eles não viviam para SI MESMOS. Não era AS SUAS VIDAS o que importava! Mas eles viviam PARA O REINO, e era somente a GLÓRIA DE DEUS o que importava!

Chega de igrejas que se dizem cristãs mas servem aos HOMENS, e não a DEUS. Que agradam aos HOMENS, e não a DEUS. Que pregam verdades que "não cogitam das coisas de DEUS, mas das coisas dos HOMENS".

Que possamos entender que nossa recompensa não é deste mundo! Porque nós mesmos não somos deste mundo. Nosso reino, nossa coroa, nosso galardão está no porvir, guardado em Jesus, e será manifestado um dia, mas este tempo ainda não é agora. Se as igrejas gastassem mais tempo nos ajudando a compreender estas verdades, se pudessemos contar com verdadeiros PASTORES, que nos ajudam a viver nossas identidades de "peregrinos nesta terra" e amontoadores de tesouros na ETERNIDADE, como seria mais fácil combater o bom-combate, terminar a carreira que nos é proposta e receber a coroa. Se passassemos mais tempo sendo preparados para a GUERRA, ensinados a manejar a ESPADA que Jesus disse que veio trazer ao mundo, para lutarmos contra os principados e potestades, ao invés de sermos treinados para viver como crianças mimadas, que só se preocupam consigo mesmas e com suas vidas confortáveis, estáveis e cheias de segurança NO MUNDO, a Grande Comissão que nos foi proposta poderia ser melhor cumprida.

Que o Senhor tenha misericórdia desta geração, de cada um de nós que temos sido chamados pelo Seu Espírito Santo, e que a Sua Graça não nos permita permanecer no engano, mas nos livre das ciladas de Satanás, de suas mentiras que tem distorcido tanto as Verdades de Deus!

SOLI DEO GLORIA!
SOMENTE A DEUS SEJA A GLÓRIA!
AMÉM.