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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Aos soldados cansados...


Carta de um soldado 

Ao Comandante e Chefe Espiritual das Forças Armadas - Jesus Cristo

Localização: Quartel General das Milícias Celestes

Assunto: Transferência

Caro Senhor,  

Estou lhe escrevendo para lhe pedir transferência para um trabalho interno. Apresento-lhe aqui as minhas razões: 

Comecei minha carreira como um soldado raso e devido a intensidade da batalha, rapidamente o Senhor me fez subir de posto. O Senhor me fez ser um oficial e me deu uma tremenda soma de responsabilidades; há muitos soldados e recrutas sob minha responsabilidade. Sou constantemente solicitado a dispensar sabedoria, fazer julgamentos e encontrar soluções para problemas complexos. O Senhor me colocou numa posição para funcionar como um oficial, quando em meu coração eu sei que tenho apenas a habilidade de um soldado raso. O Senhor prometeu suprir tudo o que eu precisasse para a batalha. Mas, Senhor, eu preciso apresentar-lhe um quadro realista do meu equipamento. Meu uniforme, uma vez arrumado e engomado, agora está manchado pelas lágrimas e pelo sangue daqueles que eu tentei ajudar. A sola das minhas botas estão rachadas e gastas pelas milhas que andei tentando alistar e encorajar a tropa. Minhas armas estão estragadas, manchadas e quebradas devido as constantes batalhas contra o inimigo. Até o Livro de Regulamentos que eu possuía está rasgado e despedaçado pelos intermináveis usos. As palavras agora estão borradas. O Senhor me prometeu que estaria comigo o tempo todo mas quando o barulho da batalha é muito alto e a confusão muito grande, eu não posso nem ouví-LO e nem vê-LO.Me sinto tão só. Estou cansado. Estou desanimado. Estou com fatiga de batalha. Eu nunca lhe pediria liberação. Eu adoro estar em serviço. Mas humildemente lhe peço um rebaixamento de posto e uma transferência. Arquivarei papéis ou limparei banheiros.Somente me tire da batalha, por favor, Senhor. 

Seu Fiel, mas cansado guerreiro.

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Ao Fiel , mas cansado Soldado das Forças Armadas Espirituais

Localização: Campo de Batalha

Assunto: Transferência
 


Caro soldado,  

O seu pedido de transferência foi negado. Com isto, apresento aqui minhas razões:

Você é necessário nesta batalha. Eu o escolhi e manterei minha palavra de suprir as suas necessidades. Você não precisa de um rebaixamento de posto e transferência.(Você nunca realizaria eficientemente o dever de limpar os banheiros). Você precisa de um período de R&R - Renovação e Refortalecimento. Estou separando um lugar no campo de batalha que é a prova de todo o som, e totalmente protegido do inimigo. Eu o encontrarei e lhe darei descanso. Removerei seu equipamento antigo e "farei novas todas as coisas." Você tem se ferido na batalha; Meu soldado, suas feridas não são visíveis mas você recebeu graves ferimentos internos. Você precisa ser curado. Eu curarei você. Você tem se enfraquecido na batalha. Você precisa ser fortalecido. Eu o fortalecerei e serei a sua força. Eu instilarei em você confiança e habilidade. Minhas palavras reacenderão dentro de você o amor, o zelo e o entusiasmo.Reporte-se a mim esfarrapado e vazio. Eu o encherei. 

Com compaixão, Seu comandante-chefe,  

Jesus Cristo. 
 

Fonte: http://blogdoceu.blogspot.com/2009/02/carta-de-um-soldado.html

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Cristianismo sem auto-engano



Ed René Kivitz, pregando a respeito do amor*, falava que o verdadeiro amor está baseado no conhecimento e entendimento pleno de 4 aspectos: quem é você; quem é o outro; o que é o Amor; e qual o fim a que se chegará amando. Qualquer coisa que negligencie um destes aspectos, qualquer um destes conceitos mundanos que nos são ensinados a respeito do amor, na verdade tem mais de auto-engano do que propriamente de Amor. Somente se, sabendo quem você é, sabendo quem é o outro, compreendendo o que é o amor e aonde você chegará amando, sem fantasias ou ilusões, você resolve continuar amando, você verdadeiramente ama.

E hoje eu estava lendo o livro de Jeremias e pensando sobre quanto vivemos cercados por auto-engano em nossas vidas cristãs. Pior, o quanto, tantas vezes, gostamos de viver assim. Estive pensando sobre o entendimento que temos a respeito de nossas vidas enquanto cristãos, e o que isso significa. E percebi como gostamos de nos auto-enganar.

Quantos de nós, ao lermos as histórias de grandes homens de Deus, dos “heróis da fé”, não desejamos tanto ser como estas pessoas? Lemos suas biografias que falam sobre seus grandes feitos e sonhamos com a possibilidade de também sermos usados por Deus como eles foram. Lemos a Bíblia e todas as histórias dos grandes profetas, reis, discípulos, apóstolos da igreja primitiva, e todas aquelas coisas nos parecem tão grandes que parece que jamais poderiam acontecer conosco. Mas como gostaríamos de, pelo menos, ter conhecido aqueles homens – quanto mais ter sido uma destas pessoas! Não sei a respeito de vocês, mas como eu gostaria!

No entanto, normalmente nós focamos nossas atenções em uma parte da história destas pessoas, e negligenciamos outra. É como a leitura que temos das palavras de Paulo em sua carta aos Hebreus, capítulo 11, que fala sobre os “heróis da fé”, segundo retratam nossas Bíblias. Nos lembramos com tanta facilidade daquela pequena porção do versículo 38: “homens dos quais o mundo não era digno”, mas nos esquecemos de todo o restante. Então, ansiamos por viver uma realidade fantasiosa, ilusória, que existe apenas em nossas mentes – uma realidade sem preço, sem dor ou provação. E isso nunca foi Cristianismo – antes, é apenas auto-engano.

Ed René fala ainda, nesta mesma pregação sobre o amor, citando as palavras do Pe. Antônio Vieira: “Os homens não amam aquilo que cuidam que amam. Por quê? Ou porque o que amam não é o que cuidam, ou porque amam o que verdadeiramente não há. Quem estima vidros cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros. Quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama e não defeitos. Donde também se segue que amam o que verdadeiramente não há, porque amam as coisas não como são, senão como as imaginam. E o que se imagina, não é.”

E o mesmo paralelo acredito se aplicar aos nossos desejos em sermos cristãos. Se desejamos ser cristãos de acordo com os padrões existentes em nossas próprias mentes, e não segundo o padrão de verdade existente na Palavra de Deus – não é cristãos o que desejamos ser, é apenas um auto-engano. E como isso é nítido quando avaliamos a imagem que temos de nossos “heróis da fé”.

Na Bíblia, existem sempre aquelas pessoas que nós admiramos de uma forma singular. Aqueles homens aos quais olhamos e quase não acreditamos na possibilidade deles realmente terem existido enquanto seres humanos. Eles parecem mesmo os nossos “Super-heróis”. Na minha opinião, Paulo e Jeremias são dois destes homens – para não falar de muitos. Somente os seus nomes nos fazem pensar em padrões super elevados e em vidas as quais gostaríamos também de viver.

Mas, lendo a história de Jeremias e, depois, relendo algumas palavras de Paulo, fiquei pensando se nós realmente entendemos o que estes homens foram chamados a ser – e o preço que eles pagaram para viver o que viveram. Será que nós também pagaríamos o mesmo preço para ver acontecer em nossas vidas o que aconteceu nas deles?

Palavras de Jeremias:

“Eu disse: - Como é dura a minha vida! Por que a minha mãe me pôs no mundo? Eu tenho de discutir e brigar com toda a gente desta terra. Não emprestei dinheiro, nem tomei emprestado, e mesmo assim todos me amaldiçoam. [...] Não tenho gasto o meu tempo rindo e gozando a vida junto com outras pessoas. Por causa do trabalho pesado que me deste, fiquei sozinho e muito indignado. Por que continuo a sofrer? Por que as minhas feridas doem sem parar? Por que elas não saram?” (Jeremias 15:10,17-18 – NTLH – Versão para Jovens)

“Ó Senhor Deus, tu me enganaste, e eu fiquei enganado. Tu és mais forte do que eu e me dominaste. Todos zombam de mim, caçoando o dia inteiro. Cada vez que falo, tenho de gritar e anunciar: “Violência! Destruição!”. Ó Senhor, eles me desprezam e zombam de mim o tempo todo porque anuncio a tua mensagem. [...] Ouço as multidões cochichando: “Há terror-por-todos-os-lados.” E dizem: “Acusem Jeremias! Vamos denunciá-lo!”. Até os meus amigos mais íntimos esperam que eu tropece. Eles dizem: “Talvez ele caia numa armadilha, então nós o pegaremos e nos vingaremos.” ( Jeremias 20:7-8, 10 – NTLH – Versão para Jovens)

Palavras de Paulo:

“Até a presente hora, sofremos fome, e sede e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos” (I Coríntios 4:11-13–Versão Revista e Atualizada)

Sobre os “heróis da fé”: “Outros foram torturados até a morte; eles recusaram ser postos em liberdade a fim de ressuscitar para uma vida melhor. Alguns foram insultados e surrados; e outros, acorrentados e jogados na cadeia. Outros foram mortos a pedradas; outros, serrados pelo meio; e outros, mortos à espada. Andaram de um lado para outro vestidos de peles de ovelhas e de cabras; eram pobres, perseguidos e maltratados. Andaram como refugiados pelos desertos e montes, vivendo em cavernas e em buracos na terra.” (Hebreus 11:35-38 – NTLH – Versão para Jovens)

Não cito estas palavras para dizer que não vale à pena desejarmos ser como estes homens, ou sonharmos em sermos, também nós, “heróis da fé”. Pelo contrário. Cito estas palavras para que possamos ser libertos do auto-engano que possa existir em nossas mentes e corações, que nos faz acreditar que existe cristianismo sem preço, que existe glória sem dor, que existe serviço sem abnegação, sem provações, sem sofrimentos. A Bíblia é clara ao nos mostrar que não é assim! Nosso Senhor e Salvador precisou ser humilhado pelos piores pecadores e morto em humilhação para cumprir a sua missão, nos revelar o amor do Pai e nos redimir de nossos pecados. Existe um preço, e não podemos fingir que ele não existe.

E estas coisas não nos foram escritas para nos desanimar, mas para nos alegrar quando for também a nossa vez de passar pelo fogo, de sermos provados para, então, sermos aperfeiçoados. Palavras e histórias de grandes homens que foram usados por Deus, apesar de perseguidos, caluniados, injustiçados, apesar de carregar ansiedades, sofrimentos, fardos pesados, apesar de também duvidarem e sentirem medo. Eram homens, como nós. Como diz Paulo: “Eram fracos, mas se tornaram fortes” (Hb. 11:34).

Homens que, depois de todas estas palavras de dor e sofrimento, também ouviram ou entenderam outras palavras, como estas:

“ O Senhor respondeu: - Se você voltar, eu o receberei de volta, e você será meu servo de novo. Se você disser coisas que se aproveitem e não palavras inúteis, você será de novo meu profeta. O povo voltará para você, mas você não deve voltar para eles. Farei com que você seja para este povo como um forte muro de bronze. Eles lutarão contra você, mas não conseguirão derrota-lo, pois eu estarei com você para protegê-lo e salvá-lo. Eu o livrarei das mãos dos perversos e o libertarei do poder dos violentos. Eu, o Senhor, falei” (Jeremias 15:19-21 – NTLH – Versão para Jovens)

“Mas tu, ó Senhor, estás comigo e és forte e poderoso. [...] Assim, ó Senhor Todo-Poderoso, com justiça tu nos pões à prova, pois sabes o que está na nossa mente e no nosso coração. [...] Cantem ao Senhor Deus, louvem o Senhor porque ele livra os pobres do poder dos maus.” (Jeremias 20: 11a, 12a, 13 – NTLH – Versão para Jovens)

“ O mundo não era digno deles! [...] Assim nós temos essa grande multidão de testemunhas ao nosso redor. Portanto, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós e continuemos a correr, sem desanimar, a corrida marcada para nós. Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa. Ele não deixou que a cruz fizesse com que ele desistisse. Pelo contrário, por causa da alegria que lhe foi prometida, ele não se importou com a humilhação de morrer na cruz e agora está sentado do lado direito do trono de Deus. Pensem no sofrimento dele e como suportou com paciência o ódio dos pecadores. Assim, vocês, não desanimem, nem desistam.” (Hebreus 11:38; 12:1-3 – NTLH – Versão para Jovens)

“Porém nós que temos esse tesouro espiritual somos como potes de barro para que fique claro que o poder supremo pertence a Deus e não a nós. Muitas vezes ficamos aflitos, mas não somos derrotados. Algumas vezes ficamos em dúvida, mas nunca ficamos desesperados. Temos muitos inimigos, mas nunca nos falta um amigo. Às vezes somos gravemente feridos, mas não somos destruídos. Levamos sempre no nosso corpo mortal a morte de Jesus, para que a vida dele seja vista neste nosso corpo mortal. [...] Por isso nunca ficamos desanimados. Mesmo que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia. E essa pequena e passageira aflição que sofremos vai nos trazer uma glória enorme e eterna, muito maior do que o sofrimento. Porque nós não prestamos atenção nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem. Pois o que pode ser visto dura apenas um pouco, mas o que não pode ser visto dura para sempre.” (II Coríntios 4: 7-11, 16-18 - – NTLH – Versão para Jovens)

A verdadeira fé cristã é aquela que, tendo entendido o fim a que chegaremos vivendo-a, continuamos ansiando por vivê-la – pois conhecemos as promessas que nos foram feitas, e estamos certos de que essa pequena e passageira aflição que sofremos vai nos trazer uma glória muito maior! E, com isto, ainda nas lutas e tribulações, podemos nos alegrar! Ainda que nosso corpo se desgaste, nosso espírito se renova dia a dia! Pois nossos olhos estão fixos nAquele que é fiel e justo para cumprir suas promessas!

Conhecendo o caminho que somos chamados a trilhar e regozijando-nos nele, assim somos verdadeiros cristãos. Felizes pela graça e honra de padecermos neste mundo por amor a Cristo. Alegres por saber que podemos lutar o combate que nossos “heróis-humanos” também lutaram – o combate que nosso Rei e Salvador, Jesus Cristo, também lutou. Pois não há maior graça do que esta a cada um de nós, pecadores e tão cheios de falhas. Não há maior dignidade do que nos assemelharmos a Cristo em suas dores.

Assim, ainda atribulados, não desanimamos, não desistimos, não voltamos atrás, não nos desesperamos.

E termino com as palavras de Pedro, que tanto têm ensinado ao meu coração nestes dias:

“Meus queridos amigos, não fiquem admirados com a dura prova de aflição pela qual vocês estão passando, como se alguma coisa fora do comum estivesse acontecendo a vocês. Pelo contrário, alegrem-se por estarem tomando parte nos sofrimentos de Cristo, para que fiquem cheios de alegria quando a glória dele for revelada. Vocês serão felizes se forem insultados por serem seguidores de Cristo, porque isso quer dizer que o glorioso Espírito de Deus veio sobre vocês. [...] Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês. Estejam alertas e fiquem vigiando porque o inimigo de vocês, o Diabo, anda por aí como um leão que ruge, procurando alguém para devorar. Fiquem firmes na fé e enfrentem o Diabo porque vocês sabem que no mundo inteiro os seus irmãos na fé estão passando pelos mesmos sofrimentos. Mas, depois de terem sofrido por um pouco de tempo, o Deus que tem por nós um amor sem limites e que chamou vocês para tomarem parte na sua eterna glória, por estarem unidos com Cristo, ele mesmo os aperfeiçoará e dará firmeza, força e verdadeira segurança. A ele seja o poder para sempre! Amém!” (I Pedro 4:12-14; 5:7-11 – NTLH – Versão para Jovens)

Tendo descoberto o fim a chegaremos seguindo a Cristo, continuemos seguindo-O.

Que o Deus de toda a graça fortaleça a cada um de nós, Seus filhos, a permanecermos na batalha. Amém.


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*Pregação completa de Ed René Kivitz sobre o auto-engano e o amor em: http://www.4shared.com/audio/je3yafDp/Famlia_A_histria_de_ns_dois_O_.html

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Chamados para a Guerra!



“Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos” (II Co. 4:8-9)


Sim, esse é o chamado para cada cristão genuíno: a guerra. Essa não é uma declaração muito comum nos púlpitos e não costuma-se falar muito sobre esta promessa de Cristo para cada um daqueles que querem seguí-lo, mas essa é uma verdade bíblica. E uma verdade da qual precisamos nos lembrar com muita freqüência.

Existem alguns aspectos sobre os quais eu gostaria de falar dentro deste chamado para as nossas vidas seguindo a Cristo.

Em primeiro lugar, sobre o perigo de esquecermos a nossa realidade enquanto peregrinos neste mundo: de que estamos em guerra. Cada verdadeiro Cristão que ainda vive neste século presente vive, cotidianamente, no meio de uma guerra. Foi pra isso que fomos chamados. E é essa a nossa vida. No entanto, a maioria de nós (eu, inclusive) se esquece com muita facilidade disso. E, se você se esquece da realidade de sua vida, você passa a viver uma mentira, uma ilusão, e é dessa forma que tão facilmente nós nos deparamos com nossas próprias vidas, e com cada luta que passamos, e não conseguimos compreender o que está errado – e nos frustramos, decepcionamos, deprimimos. Perguntamos: “Por que todos esses tiros me atingindo? Por que todas essas bombas sendo lançadas em minha direção? Por que todo este barulho infindável de explosões? Por que minhas roupas estão rasgadas, minha pele manchada de sangue, minhas pernas cansadas e meus braços doendo continuamente? Por que todas essas pessoas feridas e pedindo socorro ao meu redor? Por quê, Senhor?”

São perguntas tão comuns em nossa caminhada cristã, não são? O problema é que achamos que estamos num passeio na praça com nossos amigos, enquanto a verdade é que estamos em meio à guerra. Esquecemos de que todas essas coisas não são raras, mas são totalmente naturais de acontecerem. Estamos lutando! Vamos nos cansar, vamos sentir dores, vamos ter medo, vamos nos ferir e sangrar e querer desistir. Tudo isso vai, garantidamente, acontecer! Mas Jesus nos prometeu que esse não seria o fim. E nós precisamos nos lembrar, quanto pudermos, dessas duas coisas: estamos em guerra – mas nosso General está conosco, e Ele vai cuidar de nós!

Em segundo lugar, queria falar sobre a imagem que temos da guerra. Comumente, quando falamos de guerras, são tantas lembranças tristes, comentários sobre mortes e sofrimentos e lágrimas sem fim. Mas eu gostaria que pensássemos além dessas coisas.

Certa vez eu falei pra uma amiga querida que gostava de filmes de guerra. Ela ficou chocada! “Aline, eu nunca iria imaginar que você gostava de filmes de guerra! Você é toda delicadinha e romântica!”. Rsrs. E eu confesso: também gosto de filmes policiais! [Hahaha].. Mas essa é outra questão. A verdade é que eu realmente gosto demais de filmes de guerra, e que tenho aprendido muito com eles sobre minha vida cristã e meu chamado pra luta – algumas coisas que os romances e suas utopias nos fazem esquecer. E existem algumas coisas que podemos perceber nesses filmes e que são verdadeiras lições de vida pra nós.

Uma das coisas que me chama muito a atenção nesses filmes é a profundidade da entrega que cada soldado faz de sua vida por um determinado propósito. Isso é incrível! Esses dias, pedi na internet o DVD do filme “Coração Valente” e a coleção dos filmes do “Senhor dos Anéis” (xD). São filmes que me encantam, além de outros similares. Porque olho pras vidas daqueles caras, totalmente cientes dos perigos que eles passarão indo para o meio da batalha, e vejo tanta convicção por um ideal, tanta paixão por um ideal que perder a sua vida por este ideal deixa de ser uma tragédia, e passa a ser uma honra. Não deixa de existir medo ou apreensão, não passa a existir prazer natural no sofrimento. Mas a consciência de que aquele propósito precisa dele, de que existe um plano maior do qual ele pode participar e pelo qual ele pode estar lutando, gera a coragem necessária para empunhar a espada e ir pra luta. Isso é lindo demais! Isso me encanta, me comove e me faz ver exatamente o que eu devo viver enquanto cristã. Ao ver essas coisas, peço a Deus que gere em meu coração uma compreensão tal da minha missão aqui na terra, da importância dessa guerra que está acontecendo, a tal ponto que haja paixão em mim por fazer parte dela e por entregar minha vida por ela se assim for preciso. Não vejo tristeza nisso – vejo heroísmo, vejo uma profunda noção de identidade e de destino, uma profunda noção de vida, e de que ela não termina quando morremos, não termina aqui neste mundo. Assim, sofrer no meio da batalha nos faz regozijar, ainda mais na batalha para a qual somos chamados: a Batalha de Cristo. Saber que fomos escolhidos, individualmente, para fazer parte deste exército não é uma idéia que deve nos abater ou entristecer pela possibilidade de sermos baleados ou mortos lá – é uma idéia que deve nos fazer exultar plenamente, porque como podemos ser dignos deste tão alto chamado?

Outra coisa que acho maravilhoso nestes filmes e histórias são as relações estabelecidas entre os soldados que estão lutando juntos. Ah, isso é incrivelmente lindo! É muito comum nesses filmes existir um grupo de soldados ou guerreiros que fazem tudo juntos. São 5, 6, 7 pessoas que estão lutando lado a lado. Normalmente, o filme mostra como eles chegaram ao campo de batalha totalmente estranhos uns aos outros, se conheceram, foram para a luta juntos, viram uns aos outros sendo feridos e torturados no campo, e então, se tornaram amigos e irmãos. O resultado que todo aquele ambiente de dor e sofrimento gerou no meio deles: a união e a comunhão de vidas! Como isso é incrível! Aqueles homens passam, então, a ter tal comunhão de vida que deixam de viver apenas por si mesmos, mas passam a viver para ajudar o outro também. Eles podem estar cansados, cheios de dores, machucados, sem forças, mas ao ver o seu companheiro sendo atingido, ao ver um de seus companheiros precisando de sua ajuda, lá eles estão para dar a mão, sustentar o ferido em seus ombros e levá-lo consigo até onde conseguir – ainda que isso signifique o risco de morrer junto com ele. Vale à pena dar a sua vida pelo outro. A verdade é que é nesses momentos de tribulação, ao ver o seu amigo sofrendo as mesmas dores, ou ainda maiores, do que você, que você passa a se identificar de forma profunda com ele, e entende os laços de uma verdadeira amizade e fraternidade.

E essa é a nossa realidade enquanto cristãos também. Hoje eu estava ouvindo uma pregação sobre os versículos acima mencionados, e sobre todas as tribulações que viveremos em nossa caminhada cristã aqui nessa terra, e como fiquei feliz ao pensar em meus irmãos que estão nessa batalha junto comigo. Cara, como eu fiquei feliz por isso! Como agradeci a Deus por poder lutar do lado deles, por podermos sofrer juntos e podermos nos ajudar uns aos outros, por um animar o outro quando o outro já não tem forças, porque não estamos sozinhos. Isso é tremendo! E esse é o sentimento que deveríamos ter uns pelos outros, por cada um de nossos irmãos que tem lutado o Bom Combate de Cristo aqui na terra: essa identificação tal que o sofrimento do outro seja também o nosso sofrimento, que a alegria do outro seja também a nossa alegria, porque sabemos que estamos vivendo pelo mesmo propósito, porque somos companheiros da mesma guerra – e isso é uma dádiva!

Há beleza na guerra! Não precisamos apenas ficar temerosos e abatidos pelo fato de que fomos chamados para guerrear. Nossa geração tem sido ensinada de que o objetivo é fugir da dor, do desconforto, do sofrimento de todas as formas que pudermos, independente do que tenhamos que fazer. Temos sido doutrinados a crer que qualquer tipo de sofrimento é totalmente condenável, e que viver assim é loucura e não pode ter nada bom. Mas isso não é verdade. Quanta beleza e profundidade há nos ambientes de guerra. Quantas coisas que nos faz mais humanos, menos egoístas, menos mesquinhos e orgulhosos. Porque passamos a olhar para além de nós mesmos, nossas necessidades, nossas preferências, nosso bem-estar, e passamos a olhar para um grande ideal, para grandes pessoas de valor que estão lutando do nosso lado, e para o quanto podemos ser instrumentos para algo eterno nesse mundo. Para quem vive numa sociedade cujos indivíduos fogem de responsabilidades e de grandes lutas, talvez seja difícil ver honra na guerra. Mas, que o Espírito Santo possa restaurar nos corações de nossa geração o verdadeiro entendimento da Guerra que nos está proposta – de quanto vale a pena fazer parte dela.

E, além de todas essas coisas, existe uma verdade ainda mais animadora e fortalecedora para cada soldado: nós temos um General, e Ele está à nossa frente nessa luta. Ele já nos garantiu a vitória, e prometeu estar conosco todos os dias, ainda que não O vejamos, ainda que nossos corações ou olhos não contemplem como gostaríamos a Sua Presença. Mas Ele está lá e não esqueceu, nem esquecerá nunca de nós. Ele estará nos esperando quando a batalha terminar e nós tivermos vencido. Ele terá um novo lar e um grande galardão preparado para nós em nosso retorno da guerra, e é com Ele que todos nós viveremos juntos, eternamente recuperados de todo o ferimento, de toda a dor e angústia que passamos na luta.

E, enquanto estamos aqui, muitas vezes cansados da luta, com tantos machucados e tão poucas forças que achamos que não podemos ir mais além, devemos nos lembrar que podemos chamá-Lo sempre que precisarmos, e Ele trocará nossas vestes, retirará nosso fardo, restaurará nosso corpo e nos dará o descanso que precisamos. Ele renovará nossas forças para que continuemos a batalha. E iremos até o fim, porque nosso General é a nossa força.

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28-10)

Sim, nós “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos” (II Co. 4:8-9). E, sem dúvida, é uma honra ser chamado e fazer parte desta Guerra!


“Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as coisas que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (II Coríntios 4:16-18)


Que nosso Deus Pai, em nosso Senhor Jesus Cristo e no Espírito Santo que habita em nós e nos capacita para a luta, seja louvado e glorificado para todo sempre, e através de cada um de nós! A Ele seja toda a honra para sempre!