sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O amor que permite a dor: este incompreensível e sublime

Quão Singular e Maravilhoso é o Amor de Cristo!

por John Piper



Por muitos anos, tenho procurado entender como a centralidade de Deus em Si mesmo se relaciona com o seu amor por pecadores como eu. Muitas pessoas não vêem a paixão de Deus por sua própria glória como um ato de amor. Uma das razões para isto é o fato de que temos absorvido a definição do mundo a respeito do amor. O mundo diz: você é amado quando é mimado.

O maior problema desta definição de amor é que, ao tentarmos aplicá-la ao amor de Deus por nós, ela distorce a realidade. O amor de Deus por nós não se revela principalmente em que Ele nos valoriza, e sim em que Ele nos dá a capacidade de nos regozijarmos em apreciá-Lo para sempre. Se centralizamos e focalizamos o amor de Deus em nosso valor, estamos nos afastando do que é mais precioso, ou seja, Ele mesmo. O amor labuta e sofre para nos cativar com aquilo que é infinita e eternamente satisfatório: Deus mesmo. Por conseguinte, o amor de Deus labuta e sofre para aniquilar nossa escravidão ao ídolo do “eu” e focalizar nossas afeições no tesouro de Deus.

Podemos ver isto, de maneira surpreendente, na história da enfermidade e morte de Lázaro, em João 11.1-6:

1- Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta.

2- Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo o Senhor e lhe enxugou os pés com os seus cabelos.

3- Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas.

4- Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado.

5- Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.

6- Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava.

Observe três coisas admiráveis:

1. Jesus escolheu deixar Lázaro morrer. No versículo 6, lemos: “Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava”. Não houve pressa. A intenção de Jesus não era impedir o sofrimento da família, e sim ressuscitar Lázaro dentre os mortos. Isto seria verdade mesmo se Lázaro já estivesse morto, quando o mensageiro chegou a Jesus. Ele deixou Lázaro morrer ou permaneceu por mais tempo, para deixar evidente que não tinha pressa de trazer alívio imediato ao sofrimento. Algo mais importante O impelia.

2. Jesus era motivado pelo amor para com a glória de Deus, manifestada em seu tremendo poder. No versículo 4, Ele disse: “Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado”.

3.Entretanto, tanto a decisão de deixar Lázaro morrer como a motivação de glorificar a Deus foram expressões de amor para com Maria, Marta e Lázaro. O evangelista João nos mostra isto pela maneira como ele uniu os versículos 5 e 6: “Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava”.

Oh! Muitas pessoas — inclusive crentes — murmurariam por haver Jesus, insensivelmente, deixado Lázaro morrer e permitir que Marta, Maria e Lázaro e outros passassem por aquele sofrimento e infelicidade! E, se os nossos contemporâneos percebessem que Jesus fez isso motivado pelo desejo de magnificar a glória de Deus, quantos não considerariam a atitude de Jesus como insensível e severa? Isto revela quanto a maioria das pessoas estima levar uma vida livre de sofrimentos muito mais do que estima a glória de Deus. Para a maioria das pessoas, o amor é aquilo que coloca o bem-estar humano como o centro de tudo. Por conseguinte, o comportamento de Jesus é ilógico para tais pessoas.

Não podemos ensinar a Jesus o que o amor significa. Não podemos instruí-Lo a respeito de como Ele nos deve amar e colocar-nos no centro de tudo. Devemos aprender dEle o que significa o amor e o que é o verdadeiro bem-estar. O amor é fazer tudo que for necessário para ajudar os outros a verem e experimentarem a glória de Deus em Cristo, para todo o sempre. O amor mantém a Deus no centro, porque a alma foi criada para Deus.

Nas palavras de sua oração, Jesus confirma que estamos certos: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17.24). Podemos presumir que esta oração seja um ato de amor de Jesus. Mas, o que Ele pediu? Pediu que, no fim, vejamos a sua glória. O amor dEle por nós O torna central. Jesus é o único Ser cuja auto-exaltação é um ato sublime de amor. Isto é verdade porque a realidade mais satisfatória que podemos conhecer é Jesus. Portanto, para nos dar esta realidade, Ele tem de dar-nos a Si mesmo. O amor de Jesus O impeliu a orar e a morrer por nós, não para que o nosso valor se tornasse central, e sim para que a glória dEle se tornasse central e pudéssemos vê-la e desfrutá-la por toda a eternidade. “Pai, a minha vontade é que... estejam também comigo... para que vejam a minha glória”. Isto é o que significa para Jesus o amar-nos. O amor divino labuta e sofre para nos cativar com aquilo que é infinita e eternamente satisfatório: Deus em Cristo. Oh! Que vejamos a glória de Cristo — pela qual Ele deixou Lázaro morrer e pela qual Ele foi à cruz.


Extraído do livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.

Fonte: Voltemos ao Evangelho / Mulheres com Propósitos

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Os enganos do Legalismo: minha experiência



Já tem um tempo que quero falar sobre os enganos do legalismo, e como isso afetou minha vida em todos os sentidos. E, agora, lendo alguns versículos de Romanos, encontrei palavras que pareciam descrever claramente minha experiência.

“Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. Não seja, pois, blasfemado o vosso bem; Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros. Não destruas por causa da comida a obra de Deus.” (Romanos 14:15-20)

Quem acompanha meus blogs, principalmente o Sonhando na Contramão, pôde acompanhar um período em que passei a escrever muito, e a criar discussões aqui, sobre questões do judaísmo messiânico. Isso aconteceu entre o ano passado e início deste ano. Muitas coisas foram abordadas, como as celebrações das festas judaicas, a necessidade de guardar os mandamentos da lei de Moisés, a observação do Sábado, questões alimentares e a utilização de termos e nomes judaicos no lugar das palavras usadas em português. E eu, durante muito tempo, defendi todas essas coisas.

Mas acontece que as coisas mudaram drasticamente em minha vida neste ano, e eu não receio em afirmar que Deus abriu os meus olhos. Aquelas palavras que Paulo falou aos Romanos, foram as coisas que o Senhor falou, e tem falado a mim. Não apenas em relação a “questões judaizantes”, mas também outras questões, como a própria modéstia, que me fizeram conhecer a natureza legalista que existe em mim, o risco de sermos transformados em fariseus que existe em todos nós.

Sim, em todas essas coisas, principalmente na mentalidade de que eu deveria defender os conceitos do judaísmo messiânico, que parecem tão corretos e dignos de apreciação, e na forma como passei a entender modéstia como regras com uma importância acima de muitas coisas, eu me tornei legalista. Me vi nitidamente como os fariseus sobre os quais a Bíblia fala. Pude entender o que Paulo falou sobre seus irmãos israelitas, quando disse que eles têm zelo pela Palavra, porém sem entendimento. É isso mesmo. Eles conheciam e defendiam a letra da Lei, mas não o Espírito da Lei. E zelo sem entendimento, e letra sem espírito, só podem gerar morte. Por isso Paulo repete tanto que a Lei leva à morte, mas a Fé, pela Graça de Deus, gera vida.

Pela Graça de Deus, e somente por isso, eu pude compreender todas essas coisas, e olhar pra minha própria vida e ver como isto era realidade em mim. Nestes versículos do capítulo 14 de Romanos, Paulo fala sobre o cerne da vida cristã: AMOR! Ele fala que este deve ser o fim de tudo aquilo que fazemos: o amor a Deus E, com importância imensa, o AMOR POR NOSSO PRÓXIMO! É o que tenho entendido nestes últimos tempos: nossa vida cristã deve estar baseada em amor, em RELACIONAMENTO com os outros. Nossa pergunta deve ser: a fé que tenho vivido e defendido tem me aproximado ou me afastado das pessoas? Tem construído relacionamentos ou destruído-os?

Todo o meu zelo pela “Lei” (a LETRA da Lei), todo o meu zelo pelos “autos-padrões” de modéstia com todas as suas regras, me levaram a um fim horrível: me afastei das pessoas mais preciosas de minha vida, e afastei as pessoas que me amavam de mim. Tornei as minhas “regras” pedras de tropeço nas vidas daqueles que me cercavam, magoei os que estavam comigo, quebrei relacionamentos e me isolei... porque eu achava que minha obrigação era “defender a Lei”, e se as pessoas não concordavam com isso, eu não podia fazer nada. Eu não entendia.

Uma coisa que preciso dizer é que minha motivação realmente era servir a Deus integralmente. Eu achava que defendendo o “Shabbat”, as “Festas Bíblicas”, as “Comidas Puras”, os “Nomes Originais do Hebraico”, eu estava sendo mais fiel a Deus, pois queria observar a Sua Palavra em TODOS OS ASPECTOS. Como eu entendo os fariseus agora. Eles eram tão dedicados em não deixar passar nem uma vírgula sequer da Lei, não se afastar nem um centímetro das ordens da Lei, que chegavam a aumentar as exigência que a Lei fazia... mas, com todo esse zelo, eles esqueceram da essência. E foi por isso que o Messias nos foi enviado. Jesus nos revelou a essência: o AMOR.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” (I Coríntios 13:1-3)

Eu já fiquei muito triste, decepcionada comigo mesma por ter caído nos enganos do legalismo, e pelos frutos que isso gerou no meio de minha família e de meus amigos mais próximos. Eu os feri muito em função disso. Fiquei triste e preocupada pelas defesas que fiz baseada em legalismo nos blogs, e pela possibilidade de ter influenciado vidas a serem enganadas pelo legalismo também. Mas, tenho aprendido que todas as coisas têm o seu propósito determinado, e que Deus permitiu (se não planejou) que eu passasse por tudo isso. Porque, por meio de meus erros, aprendi, e hoje posso falar com mais propriedade sobre os perigos disso. Tenho conversado com amigos que passaram por situações muito semelhante, e visto os caminhos que outros tomaram, e cada vez mais me convencido das ciladas que tudo isso caracteriza. Por isso, dou graças a Deus
por poder testemunhar a esse respeito hoje e, quem sabe, ajudar alguém que esteja passando por algo parecido. Que o nome do Senhor seja glorificado em tudo isso.

Ainda gostaria de salientar que não acho que todos, ou os principais, conceitos do judaísmo messiânico sejam errados em si mesmos. Eles não são. Como Paulo disse aos Romanos, a Lei é Santa e Pura e Boa. No entanto, o pecado que habita em nós se aproveita da Lei para nos enganar. O legalismo faz parte de nossa natureza caída. Foi por isso que os israelitas viveram e ainda vivem tão zelosos pela lei, mas tão distantes da essência da Fé: a Graça de Deus. E é por isso que escrevo todas essas coisas. Os enganos do legalismo são sutis, muitas vezes têm capas tão bonitas, discursos que parecem tão corretos... foi assim que me senti! Mas, uma coisa aprendi: nossos olhos precisam estar fixados na Graça de Deus, na redenção de Cristo em Sua cruz e ressurreição, e no Amor que nos foi ordenado por Ele. Toda doutrina que nos desvia destas coisas, acabará nos levando aos enganos do legalismo de alguma forma.

A Cruz de Cristo não precisa de adicionais ou complementos. É da mensagem da Cruz, que fala sobre a graça infinita de Deus para conosco, e do Amor que Ele quis nos ensinar, que nós precisamos. Tomemos cuidado com toda e qualquer coisa que queira substituir esta mensagem.

Por estes motivos, estou retirando do blog, tão rápido quanto tenho conseguido, os posts em defesa do judaísmo messiânico, bem como termos hebraicos. Gostaria de fazer isso com maior rapidez, mas não tem sido possível. Por isso, peço que desconsiderem estes termos quando lerem os posts passados, e compreendam tudo o que aconteceu. Novamente, não estou condenando o uso destes termos, o problema não está neles em si, mas na mensagem que eles podem passar – uma doutrina que vai além da Cruz de Cristo e que desvia nossos olhos dela. Como Paulo disse, não é de comida, nem de bebida, [e eu acrescentaria: nem de dias, nem de que idioma usamos para nos referir ao Senhor, nem de que festas celebramos...] que se constitui o Reino de Deus, mas de justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. De amor. De relacionamentos construídos, de ações baseadas na edificação dos outros, e não em nós mesmos.

Estou aprendendo...

Que a Graça de Deus, no Espírito Santo que nos foi concedido, continue a nos ensinar, abrir nossos olhos e nos livrar das ciladas...

"Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro" (Efésios 4:14)


Soli Deo Gloria.

A mão de Deus na história do homem



Estava lendo, esses dias, os capítulos iniciais do Evangelho de Mateus, e tudo aquilo que é descrito ali tem falado muito comigo.

O capítulo 1 começa com a genealogia de Jesus e depois retrata seu nascimento , e o capítulo 2 continua falando sobre as fugas de José e Maria e seus momentos de exílio. E é um pouco sobre o que estas narrativas falaram ao meu coração que quero escrever hoje.

Genealogias são aquele tipo de passagem bíblica sobre as quais falamos: “O que isso tem a ver? Por que eu tenho que saber isso?”. Quem nunca passou por isso? E, ao ler os 17 versículos iniciais de Mateus 1, foi isso o que me perguntei. Mas, dessa vez, parei mesmo pra tentar entender e receber uma resposta. E a resposta estava lá, e que grandiosa ela era. Olhei para aqueles 17 versículos, e lá estavam mais de 2000 anos sendo retratados! E, muito mais do que isso: lá estava a mão de Deus sendo revelada nestes mais de 2000 anos de história da humanidade!

Se olharmos pra todos aqueles nomes e tentarmos lembrar de quem foram aquelas pessoas, de como Deus guiou absolutamente tudo para que, no final, tudo aquilo levasse a Cristo e ao cumprimento de Suas promessas, ficamos facilmente pasmos! Mas, uma das coisas que mais me chocou ao ler um pouco mais profundamente essa genealogia foram os caminhos que Deus usou para chegar a Jesus: não caminhos “perfeitos aos nossos olhos”, mas caminhos cheios de pessoas falhas e desprezíveis a nosso entendimento! A genealogia fala de Perez, filho de Judá, nascido de Tamar, a nora de Judá que tramou para engravidar dele, porque este a havia enganado!; fala de Boaz, que nasceu de Raabe, uma prostituta cultual; fala de Salomão, o filho do adultério de Davi, a prova de seu pecado; fala de Manassés, um homem descrito como o pior rei da história de Israel; e, talvez, ainda de outros mais sobre os quais não me recordo a história. Mas esses homens foram escolhidos por Deus para fazer parte da genealogia do Messias, Seu próprio Filho!

Indo mais além, parei no versículo 17 que diz: “De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para a Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação da Babilônia até Cristo, catorze gerações”. Mais uma informação sobre a qual pensamos: “E daí?”. Mas, e se pensarmos em como, até nisso, nesse mínimo detalhe numérico, Deus pensou, Ele planejou que fosse assim! Por quê? Imagino eu que para revelar a nós a Sua mão sobre toda a história da humanidade! É dele o controle, e até mesmo uma “coincidência” numérica de gerações até o nascimento do Messias Ele fez acontecer! É o Seu poder e a Sua soberania que este texto nos revela!

E não para por aí. O capítulo 1 continua, bem como o capítulo 2, relatando exatamente esse direcionamento de Deus, segundo a Sua própria vontade, guiando todos os acontecimentos do início da vida de Jesus. Até então, eu lia as narrativas do nascimento de Jesus e dos avisos que José recebeu como livramento de Deus, e via apenas isso. Mas quanto mais existe ali! Acho mesmo que não é esta a principal mensagem, não a que Mateus narra, pelo menos. Em todo tempo, Mateus mostra como que tudo o que aconteceu, desde a concepção de Maria ainda sendo virgem, até o nascimento de Jesus em Belém, sua fuga para o Egito, seu retorno para Nazaré, e assim por diante, tudo já havia sido dito por Deus através dos profetas. E todas estas coisas aconteceram, guiadas por Deus, para cumprir a Palavra dita por Deus há CENTENAS de anos!

Mas, novamente, vamos olhar os meios usados por Deus para fazer todas as coisas chegarem a esse fim. A fuga de José e Maria para o Egito, por exemplo. Por que eles precisaram fugir? Porque Herodes mandou matar todos os meninos recém-nascidos de Belém. Foi um assassinato brutal e terrível! Mas, se paramos pra pensar: e se Herodes não tivesse feito isso? Teria José fugido para o Egito? Porque o Senhor havia dito pelo profeta que “Do Egito chamei o meu filho” (Mateus 2:15). E Mateus também diz que Jeremias já havia previsto que esse assassinato em massa ocorreria: “Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando por seus filhos, e não querendo ser consolada, porque já não existem” (Mt. 2:17-18). O que isso quer dizer? Que até mesmo o que a nossos olhos é uma tragédia, pode ser planejado e usado por Deus para alcançar Seu fim e cumprir Suas promessas! Deus planejou essa ação de Herodes, e fez isso acontecer, como Ele havia predito, para cumprir Sua palavra sobre o Messias e provar Sua soberania e poder! Foi assim com o Faraó do Egito, na libertação de Israel.

E o que tudo isso me trouxe ao coração é que ainda é assim hoje, em nossas vidas. Deus sempre esteve no controle, nada nunca “deu errado” para Deus! As coisas não saíram e não saem do Seu controle – a Sua mão continua guiando a história da humanidade, como fez naqueles tempos, e como continua fazendo. Ele tem um fim aonde pretende chegar, seja em relação à toda a humanidade, ou em relação às nossas vidas individualmente. E, da mesma forma que aquelas pessoas que viviam naqueles tempos não compreendiam certos caminhos de Deus para alcançar Seus propósitos, porque estes caminhos eram trágicos e cheios de sofrimento, nós também, muitas vezes, não compreendemos os meios do agir de Deus em nossas vidas. Não compreendemos as dores e perdas que passamos, porque não conseguimos ver para que elas podem servir. Mas, ainda que não saibamos, Deus sabe! Elas não acontecem sem o Seu conhecimento e consentimento, nem mesmo sem o Seu planejamento!

Como Deus planejou situações que nos parecem terríveis e incompreensíveis no passado, porque Ele tinha um propósito maior, que somente muito depois poderia ser entendido, assim é em nossas vidas ainda hoje. Nossas lutas e sofrimentos nos abatem, e é com tanta facilidade que eles tomam completamente nossos olhos, cegando nosso raciocínio ou nossa fé, que esquecemos quase totalmente que existe Alguém no controle. Mas existe esse Alguém. É somente por isso que podemos acreditar nas palavras de Paulo: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm. 8:28). Essa é, e deve continuar sendo, nossa esperança. Nosso Deus é soberano, Ele age segundo a Sua perfeita vontade, e Seus caminhos não sempre compreensíveis a nós, pois os Seus pensamentos não são os nossos pensamentos. “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor, pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jeremias 29:11).

Quando nossos olhos não puderem ver, e nossa mente não puder entender os motivos e caminhos de Deus, lembremos disso. Podemos confiar nEle. E podemos ter esperança, porque Ele sempre esteve e ainda está no controle.


“Porque na esperança fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.” (Romanos 8:24-25)


“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hebreus 11:1)


Quando nossos olhos forem insuficientes, que a nossa fé prevaleça.



Pra glória do Senhor nosso Deus, Amém.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Somente a minha gratidão...



Mais um ano de vida sendo encerrado... E um novo ano começa.

Ainda que, durante os dias rotineiros de nossos anos, a graça, o amor e a fidelidade de Deus seja revelada a nós de forma que nosso coração pode ter uma noção um pouco maior da grandeza de tudo isso, nessas datas especiais é que paramos para refletir de maneira mais profunda a respeito disso. E, neste dia em que comemoro meus 23 aninhos (acreditem! rsrs), durante cada momento de meu dia, meu coração tem estado constrangido diante de toda a graça, o amor ,a fidelidade e o cuidado de Deus com minha vida.

E a palavra que define tudo o que vivi neste dia é: GRATIDÃO. Apesar de gostar muito de falar e falar e falar, o que sinto neste momento é que palavras não poderiam mesmo descrever o quanto sou grata a Deus por tudo que Ele é, por Sua misericórdia e bondade infinitas sobre minha vida, por Suas graças indescritíveis!

Hoje passei o dia inteiro chorando! rs. Sim, eu sou chorona assumida mesmo, mas acho que o motivo de todas as lágrimas que foram derramadas hoje, desde a madrugada, desde o primeiro “Parabéns pra você nessa data querida..” (rs), é que não haveria outra forma melhor de viver ou de expressar tudo o que estou sentindo! Sinceramente, não sei como descrever a felicidade que sinto neste dia, a alegria de ver a mão tão misericordiosa de Deus em minha vida. E, então, o único jeito é chorar. Acho que Deus deve entender o significado de cada uma dessas lágrimas e todas as palavras e sentimentos que elas contém.

E não faltam motivos pelos quais agradecer e louvar a Deus neste dia. Hoje, parei e olhei pra tantas coisas que aconteciam em minha vida há tão pouco tempo atrás, alguns meses apenas – enganos, caminhos errados, falhas, coisas que endureceram meu coração, me afastaram das pessoas e afastaram as pessoas de mim, me distanciaram do amor e da comunhão que são o centro da vida cristã. Tantas coisas perdi em função dos enganos que cometi – legalismo, orgulho, ignorância espiritual... coisas que feriram as pessoas que eu amava e que me amavam. E, hoje, lembrei de todas essas coisas, mas lembrei, principalmente, de tudo o que Deus foi para comigo e fez em mim APESAR de todos os meus erros! Lembrei de como Deus me mostrou meu erro, me convenceu de meus pecados e me resgatou de meus caminhos distorcidos. De como Ele tem feito isso a cada dia! De como Ele tem sido TÃO MARAVILHOSO que não apenas mudou meus caminhos e as motivações de meu coração, mas tem restaurado tudo aquilo que eu estava perdendo: as pessoas que amo, amigos, família, COMUNHÃO... Quando eu não merecia ter o amor de todas as pessoas que feri de volta, Deus tem me dado este presente! E como haveria palavras pra louvá-Lo e engrandece-Lo da forma como Lhe é devido?

Muito além disso, olho ao meu redor (às vezes não tão “ao redor” assim, mas um pouquinho mais longe.. rsrs) e vejo quantas pessoas indescritivelmente lindas tenho tido a graça, a honra, a dádiva de chamar de AMIGOS... Ahh!! Eu sinceramente não sei como descrever a felicidade que há em meu coração com cada pessoa tão especial, tão querida que o Senhor tem posto em minha vida e, principalmente, em meu coração. Meus amigos “virtuais”! rsrs.. Cada um que tenho conhecido através dos blogs, do Orkut ou de qualquer outro meio escolhido por Deus para unir nossas vidas, quero que saibam o quanto sou grata a Deus por suas vidas e o quanto vocês são importantes em minha vida!

De maneira muito especial, representando todos os amigos tão amados que tenho conhecido somente “de longe”, mas na esperança de que um dia ainda nos encontraremos para louvar a Deus por tudo que tem feito em nossas vidas, gostaria de citar três amigos tão presentes que quase não acredito que realmente nunca nos encontramos (rs): Muri, Tali e Lucas. ^^ Cito vocês representando todas as outras pessoas lindas que tenho tido o prazer de conhecer e de ter como amigos. O que falar a vocês? Parece que as palavras vão embora, diante de tudo o que vocês representam em minha vida. Companheiros do “Bom Combate”, como é bom estar buscando ao Senhor ao lado de vocês! Como diz o Puro e Simples: “Te ouvir, compreender, te ensinar e aprender com você, chorar e te consolar, te amar e rir com você, meu amigo irmão”... Sempre que ouço essa música lembro de vocês! Não tenho como agradecer a vocês por poder compartilhar minha vida com cada um de vocês! Muito obrigada mesmo!

Muri e Tali, as meninas que me fizeram começar o dia chorando!! rsrs. Como eu disse pra vocês, eu realmente não consegui mais parar de chorar depois da surpresa que vocês fizeram! Passei o dia todo “toda boba” (hehehe), chorando por qualquer coisa! Culpa de vocês, viu!! rsrs... Como eu poderia imaginar ganhar duas IRMÃS (quase gêmeas! rs) em tão pouco tempo (apenas 3 meses e um pouquinho), de tão longe e que eu nunca tenha encontrado pessoalmente!! Nossa, somente Deus pra fazer algo assim! Nossa amizade, a identificação que temos uma pela outra, o amor que podemos afirmar com sinceridade que existe em nossos corações uma pela outra são coisas que o mundo não pode explicar – sequer pode entender! Eu mesma tenho dificuldade de entender e acreditar algumas vezes! Faz parte daquelas “coisas loucas que Deus usa para confundir as sábias”, não é? Algo que somente em Deus poderia acontecer, e esse é o maior motivo de regozijo de meu coração ao pensar em suas amizades – elas são propósito de Deus, planejado por Ele e, portanto, ainda podemos esperar viver muitas coisas juntas, né? xD Obrigada por poder compartilhar meus sonhos com vocês e sonhar seus sonhos convosco!! Sei que não preciso, mas ainda assim repito que AS AMO DEMAIS! Vocês são presente de Deus em minha vida! Obrigada por tudo!

Lucas, você que foi o culpado por essas duas mocinhas estarem em minha vida hoje, hein!!! Pode assumir a responsabilidade agora!! rsrs. São tantas coisas pelas quais agradecer você, Lucas! Tantas as pessoas lindas, que hoje moram em meu coração e fazem parte da minha vida, e que conheci através de você! MUITO OBRIGADA por investir em minha vida, pelo tanto que você me ensina através de sua vida, de seu amor pelo Senhor, de seu desejo em honrá-Lo em todas as coisas! És um referencial pra mim! Obrigada pela paciência de me aguentar falando e falando e falando, seja no msn, no Orkut, no celular.. E de me levar de “carona” em cada culto ou bom estudo que você vai aí em Volta Redonda!! rsrs.. Não tenho como agradecer a você todo o tempo despendido, investido em meu crescimento e minha vida com Deus! Sem falar de todas as suas orações. MUITO OBRIGADA MESMO! É bom demais poder contar com sua amizade constante, e poder continuar aprendendo com você todos os dias. Que o Senhor o recompense por todas essas coisas e muitas outras mais que não poderia descrever aqui!

Mas, é a CRISTO, meu Salvador, que toda a honra e glória devem ser dados! Porque de que outra forma eu poderia ter todas essas bênçãos em minha vida? Porque não há nenhum merecimento em mim para ser honrada com todas essas coisas, e tantas mais! Somente por este amor sem fim, esse amor que não posso compreender, tão grande e tão incondicional, essa graça que se renova sobre mim a cada minuto, sem a qual não poderia viver um segundo sequer, somente por isto estou aqui hoje, sou quem sou... somente por este Deus de tamanha bondade, todas essas coisas podem ser! Que, ao olhar para minha vida, para qualquer coisa “boa” que eu possa ser ou fazer, não seja a mim que vocês vejam, mas Àquele que é o Autor de tudo o que possa haver de bom em mim: Deus: meu Pai, meu Salvador e meu Consolador e Inspirador! Não há nada de bom em mim fora dEle! Portanto, somente a Ele seja toda a glória!

“Louvarei ao SENHOR de todo o meu coração, na assembleia dos justos e na congregação. Grandes são as obras do SENHOR, procuradas por todos os que nelas tomam prazer. A sua obra tem glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre. Fez com que as suas maravilhas fossem lembradas; piedoso e misericordioso é o SENHOR.” (Salmo 111:1-4)

Amém!



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Aos soldados cansados...


Carta de um soldado 

Ao Comandante e Chefe Espiritual das Forças Armadas - Jesus Cristo

Localização: Quartel General das Milícias Celestes

Assunto: Transferência

Caro Senhor,  

Estou lhe escrevendo para lhe pedir transferência para um trabalho interno. Apresento-lhe aqui as minhas razões: 

Comecei minha carreira como um soldado raso e devido a intensidade da batalha, rapidamente o Senhor me fez subir de posto. O Senhor me fez ser um oficial e me deu uma tremenda soma de responsabilidades; há muitos soldados e recrutas sob minha responsabilidade. Sou constantemente solicitado a dispensar sabedoria, fazer julgamentos e encontrar soluções para problemas complexos. O Senhor me colocou numa posição para funcionar como um oficial, quando em meu coração eu sei que tenho apenas a habilidade de um soldado raso. O Senhor prometeu suprir tudo o que eu precisasse para a batalha. Mas, Senhor, eu preciso apresentar-lhe um quadro realista do meu equipamento. Meu uniforme, uma vez arrumado e engomado, agora está manchado pelas lágrimas e pelo sangue daqueles que eu tentei ajudar. A sola das minhas botas estão rachadas e gastas pelas milhas que andei tentando alistar e encorajar a tropa. Minhas armas estão estragadas, manchadas e quebradas devido as constantes batalhas contra o inimigo. Até o Livro de Regulamentos que eu possuía está rasgado e despedaçado pelos intermináveis usos. As palavras agora estão borradas. O Senhor me prometeu que estaria comigo o tempo todo mas quando o barulho da batalha é muito alto e a confusão muito grande, eu não posso nem ouví-LO e nem vê-LO.Me sinto tão só. Estou cansado. Estou desanimado. Estou com fatiga de batalha. Eu nunca lhe pediria liberação. Eu adoro estar em serviço. Mas humildemente lhe peço um rebaixamento de posto e uma transferência. Arquivarei papéis ou limparei banheiros.Somente me tire da batalha, por favor, Senhor. 

Seu Fiel, mas cansado guerreiro.

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Ao Fiel , mas cansado Soldado das Forças Armadas Espirituais

Localização: Campo de Batalha

Assunto: Transferência
 


Caro soldado,  

O seu pedido de transferência foi negado. Com isto, apresento aqui minhas razões:

Você é necessário nesta batalha. Eu o escolhi e manterei minha palavra de suprir as suas necessidades. Você não precisa de um rebaixamento de posto e transferência.(Você nunca realizaria eficientemente o dever de limpar os banheiros). Você precisa de um período de R&R - Renovação e Refortalecimento. Estou separando um lugar no campo de batalha que é a prova de todo o som, e totalmente protegido do inimigo. Eu o encontrarei e lhe darei descanso. Removerei seu equipamento antigo e "farei novas todas as coisas." Você tem se ferido na batalha; Meu soldado, suas feridas não são visíveis mas você recebeu graves ferimentos internos. Você precisa ser curado. Eu curarei você. Você tem se enfraquecido na batalha. Você precisa ser fortalecido. Eu o fortalecerei e serei a sua força. Eu instilarei em você confiança e habilidade. Minhas palavras reacenderão dentro de você o amor, o zelo e o entusiasmo.Reporte-se a mim esfarrapado e vazio. Eu o encherei. 

Com compaixão, Seu comandante-chefe,  

Jesus Cristo. 
 

Fonte: http://blogdoceu.blogspot.com/2009/02/carta-de-um-soldado.html

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Amor, Casamento e a Unidade da Igreja



Há algumas semanas atrás, eu estive participando de um seminário chamado “Vida Total da Igreja”. O seminário falava, em suma, sobre a vida da Igreja, qual é o seu chamado e a sua missão aqui na terra. Num determinado momento o pastor começou a falar sobre a Unidade da igreja. E esse assunto me é bastante confrontador e delicado, de uma forma pessoal, mas também tenho percebido o quanto ele o é de uma forma geral para nós, cristãos. E eu estive pensando sobre esse assunto nessas últimas semanas.

Pensei sobre como nós, mesmo enquanto cristãos, temos sido, de alguma forma, treinados ou estimulados a avaliar as coisas – o chamado de Deus, o preço a ser pago, o objetivo a ser cumprido, o alvo onde queremos chegar – de uma forma individual. Nós somos confrontados a buscar descobrir o que Deus espera para nossas vidas individuais, em que devemos dedicar nossas vidas, como agradar a Deus com nossas vidas e mais tantas e tantas outras coisas relacionadas às NOSSAS vidas – individualmente. Não acho que isso seja errado, afinal, devemos sim buscar consagrar nossas vidas individualmente a Deus e, cada um, dar o seu melhor para o Senhor. Porém, existe um grande perigo nisso: nós passarmos a ser o CENTRO de todas as coisas – o individual. E não é esse o ensino que as Sagradas Escrituras nos dão.

Paulo fala, em I Coríntios 12: 12-27, sobre a “Unidade Orgânica da Igreja”. Ele explica a realidade espiritual da igreja de Cristo comparando-a a um corpo, do qual cada um de nós é um membro que tem uma função específica a desempenhar. E este foi um dos exemplos que mais me marcou neste seminário do qual participei há algumas semanas. O pastor nos pediu para refletir sobre a realidade do nosso corpo físico, e de cada membro dele. Ele utilizou os versículos 15 a 17 para falar sobre como cada membro do corpo é extremamente necessário e como todos eles são dependentes uns dos outros. E essa noção de DEPENDÊNCIA foi o que me marcou. “Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo”, diz o versículo 15. E nós ficamos pensando sobre o que aconteceria se algum membro do nosso corpo – nossos pés, nosso pescoço, nosso estômago, etc – resolvesse que não seria mais do corpo e se recusasse a fazer parte do corpo: seria o caos para o corpo e, talvez, até mesmo impossível de sobreviver!

E a questão que tem pulsado em meu coração e mente nesses dias é: nós somos MEMBROS de um corpo, mas muitas vezes temos nos comportado como se fôssemos o CORPO INTEIRO! Muitas vezes, nós somos ensinados que somos, INDIVIDUALMENTE, a “Noiva de Cristo”, mas o que a Bíblia diz é que a Noiva é a IGREJA, e que eu sou MEMBRO desta Igreja – e não a Igreja toda! É incrível a facilidade com que nos colocamos como o centro do universo! Nós achamos que o que importa somos nós: se eu sou o fígado, mas estou cansado de ser fígado, então vou tirar uma folga por umas semanas, até que esteja me sentindo melhor, e pronto. É isso o que importa: eu! Mas e o CORPO? Nosso corpo simplesmente entraria em choque e, possivelmente, iria à óbito se nosso fígado resolvesse parar de trabalhar durante alguma semanas! Nós esquecemos que fazemos parte de um CORPO, que não estamos separados dos demais membros, mas que a vida da Igreja de Cristo é totalmente e diretamente influenciada por nós!

Eu tenho sido totalmente confrontada por Deus em relação a isso, porque minha experiência fazendo parte de uma igreja, de um grupo, foi tão pequena, superficial e até, de alguma forma, meio decepcionante, que eu passei a caminhar sozinha. E aprendi a me preocupar com a situação da minha vida em particular, e a esquecer que, como cristã, eu fui chamada pra fazer parte de um corpo. E, nesse aspecto, ainda que eu tenha comunhão com vários irmãos em Cristo, que são parte do corpo de Cristo, a realidade de ter um compromisso com uma igreja, considerando-a um organismo vivo, considerando-a como um “corpo”, nunca foi muito real pra mim. Mas hoje tenho percebido o quanto isso é, não apenas importante, necessário! Porque, somente assim, eu poderei compreender que não sou um “membro avulso”, ou um “corpo inteiro”, eu sou apenas um MEMBRO do corpo de Cristo, ou da igreja onde o Senhor me colocar. E, assim, entendo que minha preocupação não pode e não deve estar em mim mesma em primeiro lugar, mas sim no corpo do qual eu faço parte – porque o que quer que eu faça irá afetar a todos os demais membros!

Eu leio as palavras de Paulo em I Coríntios 12.25,26 e fico pensando se nós realmente temos entendido a profundidade delas: “para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam”.Como temos estado distante de compreender ou viver segundo estas palavras! Sair dos nossos pensamentos e posicionamentos individualistas e egoístas, preocupados com nós mesmos, com nossas necessidades, com nossa satisfação e bem-estar, com nossos direitos, e passar a ter um posicionamento COLETIVO, entendendo que existe um conjunto, um corpo que é muito maior do que nós e muito mais importante do que nós! Será que nós temos refletido que cada uma de nossas ações afeta diretamente cada membro que convive conosco em nossas igrejas; que nosso esfriamento, nosso afastamento, nossa rebelião, nosso orgulho e falta de humildade, irá afetar diretamente a vida espiritual da igreja; que todas essas coisas não dizem respeito apenas a nós mesmos, porque nós não vivemos separados do todo, mas como parte dele? Se alguém já teve uma unha encravada, ou um espinho engatado no dedinho da mão, sabe como que a dor que se sente não diz respeito apenas ao pé ou à mão – o corpo inteiro sofre com essa dor! Se nosso pulmão não está funcionando adequadamente, o problema não ficará somente nele, mas o corpo inteiro irá padecer em função disso. E assim é também em nossas vidas enquanto Igreja e corpo de Cristo!

Nesse mesmo seminário, não sei bem em que momento, se realmente em uma discussão voltada para esse aspecto, o pastor falou a respeito da aliança de casamento. Ele usou uma metáfora sobre uma ponte: o casamento é como uma ponte que o casal precisa atravessar, uma ponte muito estreita e longa, localizada em cima de um mar muito perigoso, cheio de jacarés selvagens. Ao chegar ao início dessa ponte, um olha para o outro e fazem um compromisso juntos: “Nós vamos atravessar essa ponte juntos, até o fim!”. E eles começam a caminhar. Só que a ponte está em estado meio precário, existem locais em que as tábuas estão quebradas e, assim, o espaço para passar se torna ainda mais estreito e perigoso, e a travessia começa a se tornar muito desconfortável e arriscada. E começa a dar vontade de voltar atrás, porque suas vidas parecem estar em risco. Porém, quando eles olham para trás, existe algo terrível: todo o espaço de ponte que eles já haviam caminhado simplesmente desmoronou! Não existe mais ponte para trás! E agora? Agora só existe uma opção: continuar caminhando juntos, até o fim, para frente, por mais difícil que possa ser o trajeto! Assim é um verdadeiro compromisso de casamento: “Nós vamos juntos até o fim, não importa o que possa acontecer”. Mas, de uma certa forma, como é fácil entendermos esse nível de compromisso quando tratamos de casamento, não é? Nos parece bem razoável aceitar que realmente é assim que devemos nos comportar depois de casados – divórcio não é uma opção para os cristãos!

Mas, no meio daquela história, eu fiquei pensando sobre nossa realidade enquanto Igreja. É incrível como podemos até pensar em abrir mão de algumas coisas para manter um compromisso de casamento num nível como esse, pois esse relacionamento parece prometer muitas felicidades e satisfações pessoais para nós. Então, parece valer à pena. Mas, e enquanto membros do Corpo de Cristo? Será que estamos dispostos a assumir algo tão profundo assim? A pergunta na minha mente era: “Você está disposta a dizer ‘nós vamos até o fim juntos, não importa o que aconteça’ aos irmãos que estão ao seu lado nesta igreja, compondo o corpo de Cristo junto com você?”. E, aí, eu já não tinha tanta certeza assim. Essa é, absolutamente, a frase que irei usar no dia do meu casamento, mas eu não podia afirmar com tanta convicção se poderia firmar um compromisso desse porte com a minha igreja. Por que? Porque isso iria me custar muito, porque EU SEI o preço que eu precisaria pagar para viver dessa forma junto de todos aqueles irmãos que são, tantas vezes, tão diferentes de mim, que discordam de mim, que me machucam, me frustram, não me compreendem, não estão ao meu lado quando preciso de suas ajudas, são indiferentes, são “tão errados”... Como eu poderia firmar um compromisso assim com eles? É muito mais fácil resolver tirar uma folga e deixar minhas funções de “fígado” por algum tempo, independente do mal que eu possa fazer ao corpo através disso!

Mas depois, também fiquei pensando sobre as verdades acerca de um relacionamento de casamento. E pude chegar à conclusão de que maiores são as semelhanças do que as diferenças entre um relacionamento de casamento e um relacionamento de igreja. É a mesma coisa! O problema é que, comumente, romantizamos demais o que viveremos dentro de nossos casamentos. Infelizmente. Achamos que iremos nos casar com aquela pessoa perfeita, nosso “diamante”, com a qual sempre estaremos de acordo, aquela pessoa que nunca irá ser indiferente às nossas dores, que sempre estará disponível a nos ajudar, disposta a ouvir, com um bom conselho para dar, nunca de mau-humor e incapaz de cometer um pecado grave contra nós. Puxa, será mesmo que vai ser assim? Certamente, não! Porque, como pecadores, iremos nos casar com pecadores, com seres humanos, falhos e frágeis, exatamente como nós o somos, ainda que estejamos lutando para que a nossa nova natureza em Cristo seja cada vez mais manifesta em nossa vida cotidiana!

E a mesma coisa acontece com a igreja! Como romantizamos as coisas quando entramos numa igreja verdadeira de Cristo, não é? (Estou falando de igrejas verdadeiramente CRISTÃS, e não qualquer igreja que use esse título!) Conhecemos aquele pastor maravilhoso, homem sábio, temente a Deus, dedicado ao serviço do Senhor, preocupado com as almas, cheio de conhecimento, aquele cara incrível ao qual nós sem dúvida queremos seguir e com o qual queremos trabalhar anos a fio! Conhecemos nossos irmãos, tão maduros, tão espirituais, dedicados à Palavra, homens e mulheres de caráter, desejando ser santos e impactar este mundo, além disso pessoas sensíveis, que nos ajudam em nossas lutas e que sempre tem aquela palavra certa! Uau! É o lugar perfeito! Achei o meu lugar! Mas, então, os anos vão se passando, e aquele pastor e aqueles irmãos que você achava que eram “super-heróis” vão mostrando sua realidade: eles são humanos, assim como você! Eles também tem erros, eles também pecam, ferem você, frustram você, eles também tem batalhas que parecem nunca ser ganhas, eles também são fracos. E seu sonho romântico vai por água abaixo! É ou não é essa a realidade que vivemos em ambos os casos, o casamento e a igreja? E é o momento em que queremos voltar atrás: “Eu não firmei aquele compromisso com você(s) para viver dessa forma! Eu disse que ia até o fim com você(s), mas eu pensei que ia ser diferente! Mas não está sendo como eu imaginei, então acho que não dá mais pra mim! Eu paro por aqui!”.

E aí precisamos parar para nos perguntar: em que está baseado o nosso compromisso? Um compromisso como este só pode ser estabelecido e vivido se for baseado em um AMOR REAL. Mas, em que está baseado o amor que declaramos ter para com um cônjuge ou para com nossos irmãos em Cristo e a igreja da qual fazemos parte? Será que nós realmente temos vivido um Amor REAL, ou temos vivido um auto-engano? O pastor Ed René Kivitz fala sobre isso em sua mensagem “O caminho do amor”, uma de minhas mensagens preferidas e com a qual aprendi e continuo aprendendo muito sobre o verdadeiro amor:

“Se queremos dizer que amamos, ou amamos como Cristo amou, ou o amor que temos nós pensamos ser amor e amor não é – é necessidade, é simpatia, é interesse, é afinidade, mas amor não é. Ou amamos como Cristo amou ou nos auto-enganamos em nossos relacionamentos de amor.”

E, então, como foi que Cristo amou, esse jeito com que devemos também amar? Ed René cita as palavra do Pe. Antônio Vieira:

“A grande questão de uma relação de amor é a questão entre a ignorância e a ciência. Aquele que ama ignorando e aquele que ama de maneira consciente. Aquele que ama auto-enganado, e aquele que ama de maneira lúcida, e ama plenamente. E ele diz que Cristo amou plenamente consciente. Não foi um auto-engano, foi um amor real. E então, ele diz que há quatro ignorâncias no amor: a ignorância de si mesmo, a ignorância a respeito daquele a quem amamos, a ignorância a respeito do que seja o amor, e a ignorância a respeito do fim a que chegaremos amando.[...] E aqui, se diz que Cristo, Jesus Cristo, sabendo que tinha chegado a sua hora de voltar para o Pai – sabendo perfeitamente quem ele era, Filho de Deus:
“ – Qual é a sua identidade, Cristo, você que diz que me ama?”
Ele diz: “ – Eu sou Deus! Eu sou o Filho de Deus! Eu sou Deus! E o fato de ser quem sou não me impede de amar você sendo você quem é!”
“ – Por que? Você sabe quem eu sou?”
“ – Ah, eu sei quem você é!”
Porque diz o texto que Jesus amou os seus que estavam no mundo.
“ – E, ora, você sabe o que é amar?”
“ – Eu sei o que é amar, porque eu já tenho amado você há muito tempo. E ainda agora, à porta de minha morte, eu decido continuar amando você. Tendo amado, amo. Eu conheço não apenas quem sou, sei muito bem quem você é. Sei o que é amar e, assim, ainda escolho continuar amando.”
“ – Bom, mas, certamente, tu tens expectativas me amando desta maneira!”
Jesus diz: “Não tenho outra, senão a cruz. E nem a cruz me impede de continuar amando! Eu sei o fim que terei por amar. E ainda assim, amo
É um amor plenamente consciente. Não é um amor ignorante a respeito de si mesmo. Não é um amor ignorante a respeito daquele que recebe o amor. Não é um amor ignorante a respeito da própria essência do que é amar. E não é um amor ignorante a respeito do fim a que se chegará amando”.

E é assim que devemos amar. Um amor que é uma DECISÃO: eu irei amar esta pessoa, eu irei amar esta igreja, ainda sabendo quem ela é, ainda sabendo de seus defeitos, das lutas que irei enfrentar por decidir amá-la, e ainda que o fim a que chegarei amando seja a cruz. Eu decido amá-la! Cito, ainda, algumas outras palavras de Ed René:

“Não amou Cristo os seus como vós amai os vossos. Vós amai-os como são na vossa imaginação e não como são no mundo. No mundo, são ingratos, mas na vossa imaginação, agradecidos. No mundo, são traidores, na vossa imaginação, fiéis. No mundo são inimigos, na vossa imaginação, amigos. E amar a um inimigo cuidando que é um amigo, e ao traidor cuidando que é leal, e ao ingrato cuidando que é agradecido, não é amor, é ignorância.”

“Vieira faz um paralelo (de Jacó e Lia) com Cristo: “Nem a ignorância lhe roubou o merecimento ao amor, nem o engano lhe trocou o objeto ao trabalho. Amou e padeceu por todos e por cada um. Não como era bem que eles fossem, senão assim como eram. Pelo inimigo, sabendo que era inimigo. Pelo ingrato, sabendo que era ingrato. Pelo traidor, sabendo que era traidor.”

“‘Eu te amo!’. Ama a quem? A esta pessoa que está diante de você e que você desconhece? Sim. Então, vamos ver quando você descobrir de fato quem é esta pessoa! Quando você diz que está amando diamantes, mas na verdade é vidro. Quero ver o seu amor quando você descobrir que o seu diamante é vidro! Quero ver o seu amor quando você descobrir que o seu objeto de amor é Judas. Quero ver o seu amor!Essa é a expressão do amor de Jesus. E, quando a Bíblia diz que devemos amar como Cristo amou, devemos amar com plena consciência de quem somos nós, e devemos amar com plena consciência de quem é o outro. Não há nada no outro que me escandalize a ponto de diminuir o meu amor pelo outro. Não há nada que eu venha a descobrir a respeito do outro, não há nada que o outro possa fazer que venha a diminuir o meu amor pelo outro. Será que podemos dizer assim: como Cristo amou, nós amamos?

Somente um amor assim, como o amor de Cristo, pode fazer um compromisso como este, “Até o fim juntos, haja o que houver”, ser real em nossas vidas – seja em um casamento, ou seja, de forma especial, em nossas igrejas. Que grande desafio está diante de nós! Sim, porque não imagino um desafio tão árduo quanto aprender a amar como Cristo amou! Aprender a se doar sem esperar receber, aprender a se entregar ainda que seu receptor não mereça seu sacrifício. Somente assim aprenderemos a ser MEMBROS DO CORPO DE CRISTO. Que possamos meditar no amor com que fomos amados pelo Senhor e, através disso, nos dedicar a amar e a firmar compromissos baseados menos em nós mesmos, e mais na decisão de amar dessa forma.

Lembremos do pedido de Jesus em sua última conversa com o Pai antes de sua morte: “Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que sejam um, assim como nós. [...] Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio de sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que me enviaste.” (João 17: 11, 20-21)

Que aprendamos a ser UM, a viver em UNIDADE enquanto Corpo de Cristo, preocupados uns com os outros, lutando uns pelos outros, cientes de que quando um membro do corpo sofre, todos sofrem com ele, e quando um membro do corpo de regozija, todos se regozijam com ele. E, assim, que nossos olhos saiam de nós mesmos em nosso individualismo e coloquem-se no corpo do qual somos parte, coletivamente. “Para que o mundo creia que o Pai enviou a nosso Senhor Jesus”. Vamos lutar pela Unidade do Corpo, e verdadeiramente firmar um compromisso “até o fim” com ele. Haja o que houver.

Que o Espírito Santo nos capacite.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O falso Cristo e o falso Cristianismo

Escelente texto do site do Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho!! Sempre maravilhoso ler palavras de verdadeiros cristãos. Deus seja louvado!

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Por: Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho


Charles Colson foi assessor do Presidente Nixon, que teve que renunciar por causa de um escândalo político. Foi preso, e converteu-se a Cristo pouco antes de ir para a prisão. Fundou o ministério Prison Fellowship, que congrega 50.000 voluntários, sendo a maior organização mundial a atuar com presidiários. Já falou em mais 600 de penitenciárias, em mais de 40 países. Por causa desta atividade, em 1993 ele recebeu o Prêmio Templeton, no valor de um milhão de dólares, que doou à Prison Fellowship. Colson tem, ainda, um programa radiofônico que alcança dois milhões de pessoas diariamente.

Colson se tornou um pensador e um evangelista. Seu último livro que li foi A fé em tempos pós-modernos. Num capítulo em que aborda a questão do sofrimento, ele critica a pregação que anuncia o “Pare de sofrer!” como sendo a essência do evangelho. Ele comenta os sofrimentos de cristãos na Índia, Coréia do Norte e Mianmar (ex-Birmânia). Inicia o capítulo falando sobre o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, que era professor de Teologia, na Alemanha, opusera-se a Hitler, e, por correr risco de morte, de lá foi tirado e levado para os Estados Unidos.

Eis uma declaração que ele cita, de Bonhoeffer, sobre uma experiência espiritual que este tivera: “Pela primeira vez, descobri a Bíblia [...] Eu pregara muitas vezes, aprendera muito sobre a igreja, falara e pregara sobre ela, mas não me tornara cristão [...] Transformava a doutrina de Cristo em algo que me desse vantagem pessoal [...] Peço a Deus que isso jamais se repita. Também jamais havia orado ou orara pouquíssimas vezes [...] Ficou claro para mim que a vida de um servo de Jesus Cristo tem que pertencer à igreja, e, passo a passo, ficou cada vez mais claro para mim até onde isso deve ir” (p. 167/8). Assim, ele voltou para a Alemanha, para servir a igreja perseguida por Hitler, e lá acabou enforcado. Antes de subir ao patíbulo, ajoelhou-se e orou fervorosamente. Ele foi para se identificar com a igreja de seu país, sofrer com ela, e morreu por suas posições. Seria tão fácil cantar um cântico dizendo que Deus o abençoara e o tirara da morte! Ele era um abençoado! Mas e seus irmãos que sofriam, na Alemanha?

O verdadeiro cristianismo parte daqui, de uma frase de Bonhoeffer: “Quando Jesus Cristo chama um homem, ele o chama para morrer”. É o que Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9.23). Sim, este é o verdadeiro cristianismo, o cristianismo da cruz, do Cristo crucificado. Porque só há um Cristo digno de ser crido e pregado, o crucificado: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co 2.2).

Prega-se hoje o cristianismo do trono: “Sou filho do rei e mereço o melhor”, dizem alguns gananciosos que usam o evangelho para pretexto de sua visão materialista de vida. O próprio Rei optou pela cruz. Mente e falseia o evangelho quem oferece um trono ou uma vida repleta de bênção, sem sofrimento algum, em nome de Cristo. As lutas e as dificuldades, até mesmo as quedas eventuais, fazem parte da pedagogia divina. Catarina de Bora, esposa de Lutero, disse: “Eu jamais teria entendido o significado dos diversos salmos, nem valorizado certas dificuldades, nem conhecido os mecanismos internos da alma; eu jamais teria entendido a prática da vida e obra cristãs, se Deus nunca tivesse trazido aflições à minha vida”. Sim, porque é nos sofrimentos que nos sensibilizamos mais para a voz de Deus. É raro, quase duvidoso, que alguém encontre Deus num programa de auditório, num jogo de futebol, ou em um bloco de carnaval. Mas quantos o encontraram num leito de dor, ou à beira do túmulo de alguém amado!

O verdadeiro Cristo é o da cruz. O verdadeiro cristão é a da cruz. Martinho de Tours, em homenagem de quem Lutero recebeu o nome de Martinho, teve uma visão em que Satanás lhe apareceu na forma do Salvador. Quando estava quase se ajoelhando diante dele, Martinho olhou para suas mãos e não viu nelas os sinais dos cravos. Então perguntou: “Onde estão as marcas dos cravos?”. Diante desta pergunta, a criatura desapareceu. Sem as marcas da cruz não há Cristo nem cristianismo. Desafortunadamente, algumas igrejas têm trocado a cruz pela menorá, pela estrela de Davi, e têm trocado a cruz por bem-estar pessoal. É o falso cristianismo. Por isso, faço coro às palavras de Colson: “A dura verdade é que muitos enxergam o cristianismo como meio de melhoria individual ou como caminho para uma vida bem-sucedida” (p. 226). Que visão lamentável!

Um falso Cristo, sem a cruz, sem sangue derramado. Um Cristo sintético, de plástico, não o que derramou o seu sangue pelos nossos pecados. Um falso cristianismo, sem a cruz, sem o compromisso, sem a autodoação (a não ser doação de dinheiro para manter alguém), sem a identificação com o Crucificado. Uma busca de melhora de vida, e não de identificação com Cristo.

Só há um Cristo digno de ser crido, o crucificado. Só há um cristão verdadeiro, o crucificado. Sem a cruz, o cristianismo não existe. Nem o cristão. A Bíblia não nos chama a nos identificarmos com ele pelo trono, mas pela cruz: “Mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis” (1Pe 4.13). É preciso identificar-se com ele pela cruz.

Quem queira o trono que tome a cruz. O trono é do Crucificado e dos crucificados. Quem sofre por sua fé não é um crente de segunda classe, mas um felizardo: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós” (Mt 5.10-12).

Muito cuidado com quem oferece riquezas. Pode não ser Jesus, e sim o inimigo. Ele oferece riquezas: “Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles; e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares” (Mt 4.8-9). O inimigo nunca oferecerá a cruz, porque ele a odeia e a teme. Quem não quer a cruz está do seu lado, não do lado de Cristo. Por isso, quem deseja ser um cristão de verdade, tome a cruz e siga o Crucificado.

 
 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Bíblia: o alimento que sacia nossa fome



Estive esses dias em um “Encontro de Adoração Profética” e, ao olhar pras vidas daquelas pessoas que estavam ali, para minha própria vida e para o que estava sendo oferecido naquele lugar, surgiu este texto.

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“Eis que o povo é como ovelhas famintas e sem pastor. Estão à procura de ajuda, procuram por alguém que as guie, alguém que as ofereça o alimento que precisam para saciar essa fome tão grande.

Elas encontram, então, um lugar com pessoas que parecem tão preocupadas com elas. Se aproximam na esperança de encontrar comida para sobreviver. No lugar há muita música e muita festa. Elas chegam e todo aquele ambiente é tão envolvedor que, rapidamente, se esquecem de sua fome, e começam a cantar, a dançar, ao som daquelas músicas. Elas se agitam, se alegram, cantam e cantam a benção de ter encontrado aquele lugar e aqueles pastores que cuidarão delas.

No entanto, uma hora, duas horas se passam, e as ovelhas começam a se sentir cansadas. Elas já não conseguem pular e cantar como antes, e a fome que havia sido esquecida começa a voltar. Há fome. E elas precisam de comida. Elas olham ao redor na esperança de ver alguma comida sendo preparada, mas não há nem sinal disso. Logo as ovelhas começam a se preocupar e, no lugar onde antes havia alegria e voz de júbilo, começa a haver desânimo e desesperança. Elas estão cansadas e famintas.

Até que, finalmente, se aproximam de uma daquelas pessoas que ali estavam e perguntam:

“ – Não há comida neste lugar?”

“ – Não, não há comida neste lugar!”.

“ – Mas como podem existir pastores sem alimento para dar às ovelhas?”

“ – Mas quem disse que existem pastores aqui? Nós não somos pastores, somos apenas pessoas contratadas para entreter aqueles que por aqui passam. Nós sabemos que há muita dificuldade e sofrimento entre vocês, então viemos trazer um pouco de alegria para suas vidas.”

“ – Mas nós temos fome! Vamos morrer se não nos alimentarmos. Vocês não podem nos dar de comer?”

“ – Não! Não estamos aqui para isso!”

“ – Então, vocês podem ir embora daqui. Porque o que precisamos é de alimento. Sem alimento, quer estejamos tristes pela consciência de nossos problemas e dificuldades, quer estejamos alegres com a sua música que nos engana, nós vamos morrer!”

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Ao contrário do que muitas igrejas e muitos “falsos pastores” têm pregado ou feito muita gente acreditar, a necessidade das ovelhas não é emocional. Não são seus sentimentos que precisam ser tratados para que elas estejam bem. Elas têm fome – e este é o problema delas! Ainda que se sintam satisfeitas por algum tempo com remédios para suas emoções, enganadas por coisas e circunstâncias que as façam sentir mais alegres ou “felizes”, estas sensações não serão suficientes para suprir para sempre as suas realidades – elas estão famintas, desnutridas, e precisam urgentemente de alimento! Uma hora a barriga voltará a doer. Uma hora o corpo voltará a reclamar – e elas precisarão de alimento. E este alimento, do qual todos nós precisamos, não para o corpo mas para o espírito, só pode ser encontrado em um lugar: na Palavra de Deus. Não nas palavras de homens, não em palavras SOBRE Deus, não em músicas que falem opiniões pessoais SOBRE Deus, mas somente no conhecimento, entendimento e vivência da pura e eterna PALAVRA DE DEUS. Não há cura sem a Palavra. Não há solução sem a Palavra. Não há avivamento sem a Palavra. Não há pastores verdadeiros SEM A PALAVRA.


“ – Então, vocês podem ir embora daqui. Porque o que precisamos é de alimento. Sem alimento, quer estejamos tristes pela consciência de nossos problemas e dificuldades, quer estejamos alegres com a sua música que nos engana, nós vamos morrer!”


Que o Senhor nos faça compreender qual nossa real necessidade – e voltar para a Sua Palavra.

Que o Senhor levante pastores de verdade, que entendam que precisamos de alimento, e que o único alimento que pode saciar nossa fome e nos libertar é a Palavra de Deus!


“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32)



“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17)



“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Romanos 10:17)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Cristianismo sem auto-engano



Ed René Kivitz, pregando a respeito do amor*, falava que o verdadeiro amor está baseado no conhecimento e entendimento pleno de 4 aspectos: quem é você; quem é o outro; o que é o Amor; e qual o fim a que se chegará amando. Qualquer coisa que negligencie um destes aspectos, qualquer um destes conceitos mundanos que nos são ensinados a respeito do amor, na verdade tem mais de auto-engano do que propriamente de Amor. Somente se, sabendo quem você é, sabendo quem é o outro, compreendendo o que é o amor e aonde você chegará amando, sem fantasias ou ilusões, você resolve continuar amando, você verdadeiramente ama.

E hoje eu estava lendo o livro de Jeremias e pensando sobre quanto vivemos cercados por auto-engano em nossas vidas cristãs. Pior, o quanto, tantas vezes, gostamos de viver assim. Estive pensando sobre o entendimento que temos a respeito de nossas vidas enquanto cristãos, e o que isso significa. E percebi como gostamos de nos auto-enganar.

Quantos de nós, ao lermos as histórias de grandes homens de Deus, dos “heróis da fé”, não desejamos tanto ser como estas pessoas? Lemos suas biografias que falam sobre seus grandes feitos e sonhamos com a possibilidade de também sermos usados por Deus como eles foram. Lemos a Bíblia e todas as histórias dos grandes profetas, reis, discípulos, apóstolos da igreja primitiva, e todas aquelas coisas nos parecem tão grandes que parece que jamais poderiam acontecer conosco. Mas como gostaríamos de, pelo menos, ter conhecido aqueles homens – quanto mais ter sido uma destas pessoas! Não sei a respeito de vocês, mas como eu gostaria!

No entanto, normalmente nós focamos nossas atenções em uma parte da história destas pessoas, e negligenciamos outra. É como a leitura que temos das palavras de Paulo em sua carta aos Hebreus, capítulo 11, que fala sobre os “heróis da fé”, segundo retratam nossas Bíblias. Nos lembramos com tanta facilidade daquela pequena porção do versículo 38: “homens dos quais o mundo não era digno”, mas nos esquecemos de todo o restante. Então, ansiamos por viver uma realidade fantasiosa, ilusória, que existe apenas em nossas mentes – uma realidade sem preço, sem dor ou provação. E isso nunca foi Cristianismo – antes, é apenas auto-engano.

Ed René fala ainda, nesta mesma pregação sobre o amor, citando as palavras do Pe. Antônio Vieira: “Os homens não amam aquilo que cuidam que amam. Por quê? Ou porque o que amam não é o que cuidam, ou porque amam o que verdadeiramente não há. Quem estima vidros cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros. Quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama e não defeitos. Donde também se segue que amam o que verdadeiramente não há, porque amam as coisas não como são, senão como as imaginam. E o que se imagina, não é.”

E o mesmo paralelo acredito se aplicar aos nossos desejos em sermos cristãos. Se desejamos ser cristãos de acordo com os padrões existentes em nossas próprias mentes, e não segundo o padrão de verdade existente na Palavra de Deus – não é cristãos o que desejamos ser, é apenas um auto-engano. E como isso é nítido quando avaliamos a imagem que temos de nossos “heróis da fé”.

Na Bíblia, existem sempre aquelas pessoas que nós admiramos de uma forma singular. Aqueles homens aos quais olhamos e quase não acreditamos na possibilidade deles realmente terem existido enquanto seres humanos. Eles parecem mesmo os nossos “Super-heróis”. Na minha opinião, Paulo e Jeremias são dois destes homens – para não falar de muitos. Somente os seus nomes nos fazem pensar em padrões super elevados e em vidas as quais gostaríamos também de viver.

Mas, lendo a história de Jeremias e, depois, relendo algumas palavras de Paulo, fiquei pensando se nós realmente entendemos o que estes homens foram chamados a ser – e o preço que eles pagaram para viver o que viveram. Será que nós também pagaríamos o mesmo preço para ver acontecer em nossas vidas o que aconteceu nas deles?

Palavras de Jeremias:

“Eu disse: - Como é dura a minha vida! Por que a minha mãe me pôs no mundo? Eu tenho de discutir e brigar com toda a gente desta terra. Não emprestei dinheiro, nem tomei emprestado, e mesmo assim todos me amaldiçoam. [...] Não tenho gasto o meu tempo rindo e gozando a vida junto com outras pessoas. Por causa do trabalho pesado que me deste, fiquei sozinho e muito indignado. Por que continuo a sofrer? Por que as minhas feridas doem sem parar? Por que elas não saram?” (Jeremias 15:10,17-18 – NTLH – Versão para Jovens)

“Ó Senhor Deus, tu me enganaste, e eu fiquei enganado. Tu és mais forte do que eu e me dominaste. Todos zombam de mim, caçoando o dia inteiro. Cada vez que falo, tenho de gritar e anunciar: “Violência! Destruição!”. Ó Senhor, eles me desprezam e zombam de mim o tempo todo porque anuncio a tua mensagem. [...] Ouço as multidões cochichando: “Há terror-por-todos-os-lados.” E dizem: “Acusem Jeremias! Vamos denunciá-lo!”. Até os meus amigos mais íntimos esperam que eu tropece. Eles dizem: “Talvez ele caia numa armadilha, então nós o pegaremos e nos vingaremos.” ( Jeremias 20:7-8, 10 – NTLH – Versão para Jovens)

Palavras de Paulo:

“Até a presente hora, sofremos fome, e sede e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos” (I Coríntios 4:11-13–Versão Revista e Atualizada)

Sobre os “heróis da fé”: “Outros foram torturados até a morte; eles recusaram ser postos em liberdade a fim de ressuscitar para uma vida melhor. Alguns foram insultados e surrados; e outros, acorrentados e jogados na cadeia. Outros foram mortos a pedradas; outros, serrados pelo meio; e outros, mortos à espada. Andaram de um lado para outro vestidos de peles de ovelhas e de cabras; eram pobres, perseguidos e maltratados. Andaram como refugiados pelos desertos e montes, vivendo em cavernas e em buracos na terra.” (Hebreus 11:35-38 – NTLH – Versão para Jovens)

Não cito estas palavras para dizer que não vale à pena desejarmos ser como estes homens, ou sonharmos em sermos, também nós, “heróis da fé”. Pelo contrário. Cito estas palavras para que possamos ser libertos do auto-engano que possa existir em nossas mentes e corações, que nos faz acreditar que existe cristianismo sem preço, que existe glória sem dor, que existe serviço sem abnegação, sem provações, sem sofrimentos. A Bíblia é clara ao nos mostrar que não é assim! Nosso Senhor e Salvador precisou ser humilhado pelos piores pecadores e morto em humilhação para cumprir a sua missão, nos revelar o amor do Pai e nos redimir de nossos pecados. Existe um preço, e não podemos fingir que ele não existe.

E estas coisas não nos foram escritas para nos desanimar, mas para nos alegrar quando for também a nossa vez de passar pelo fogo, de sermos provados para, então, sermos aperfeiçoados. Palavras e histórias de grandes homens que foram usados por Deus, apesar de perseguidos, caluniados, injustiçados, apesar de carregar ansiedades, sofrimentos, fardos pesados, apesar de também duvidarem e sentirem medo. Eram homens, como nós. Como diz Paulo: “Eram fracos, mas se tornaram fortes” (Hb. 11:34).

Homens que, depois de todas estas palavras de dor e sofrimento, também ouviram ou entenderam outras palavras, como estas:

“ O Senhor respondeu: - Se você voltar, eu o receberei de volta, e você será meu servo de novo. Se você disser coisas que se aproveitem e não palavras inúteis, você será de novo meu profeta. O povo voltará para você, mas você não deve voltar para eles. Farei com que você seja para este povo como um forte muro de bronze. Eles lutarão contra você, mas não conseguirão derrota-lo, pois eu estarei com você para protegê-lo e salvá-lo. Eu o livrarei das mãos dos perversos e o libertarei do poder dos violentos. Eu, o Senhor, falei” (Jeremias 15:19-21 – NTLH – Versão para Jovens)

“Mas tu, ó Senhor, estás comigo e és forte e poderoso. [...] Assim, ó Senhor Todo-Poderoso, com justiça tu nos pões à prova, pois sabes o que está na nossa mente e no nosso coração. [...] Cantem ao Senhor Deus, louvem o Senhor porque ele livra os pobres do poder dos maus.” (Jeremias 20: 11a, 12a, 13 – NTLH – Versão para Jovens)

“ O mundo não era digno deles! [...] Assim nós temos essa grande multidão de testemunhas ao nosso redor. Portanto, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós e continuemos a correr, sem desanimar, a corrida marcada para nós. Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa. Ele não deixou que a cruz fizesse com que ele desistisse. Pelo contrário, por causa da alegria que lhe foi prometida, ele não se importou com a humilhação de morrer na cruz e agora está sentado do lado direito do trono de Deus. Pensem no sofrimento dele e como suportou com paciência o ódio dos pecadores. Assim, vocês, não desanimem, nem desistam.” (Hebreus 11:38; 12:1-3 – NTLH – Versão para Jovens)

“Porém nós que temos esse tesouro espiritual somos como potes de barro para que fique claro que o poder supremo pertence a Deus e não a nós. Muitas vezes ficamos aflitos, mas não somos derrotados. Algumas vezes ficamos em dúvida, mas nunca ficamos desesperados. Temos muitos inimigos, mas nunca nos falta um amigo. Às vezes somos gravemente feridos, mas não somos destruídos. Levamos sempre no nosso corpo mortal a morte de Jesus, para que a vida dele seja vista neste nosso corpo mortal. [...] Por isso nunca ficamos desanimados. Mesmo que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia. E essa pequena e passageira aflição que sofremos vai nos trazer uma glória enorme e eterna, muito maior do que o sofrimento. Porque nós não prestamos atenção nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem. Pois o que pode ser visto dura apenas um pouco, mas o que não pode ser visto dura para sempre.” (II Coríntios 4: 7-11, 16-18 - – NTLH – Versão para Jovens)

A verdadeira fé cristã é aquela que, tendo entendido o fim a que chegaremos vivendo-a, continuamos ansiando por vivê-la – pois conhecemos as promessas que nos foram feitas, e estamos certos de que essa pequena e passageira aflição que sofremos vai nos trazer uma glória muito maior! E, com isto, ainda nas lutas e tribulações, podemos nos alegrar! Ainda que nosso corpo se desgaste, nosso espírito se renova dia a dia! Pois nossos olhos estão fixos nAquele que é fiel e justo para cumprir suas promessas!

Conhecendo o caminho que somos chamados a trilhar e regozijando-nos nele, assim somos verdadeiros cristãos. Felizes pela graça e honra de padecermos neste mundo por amor a Cristo. Alegres por saber que podemos lutar o combate que nossos “heróis-humanos” também lutaram – o combate que nosso Rei e Salvador, Jesus Cristo, também lutou. Pois não há maior graça do que esta a cada um de nós, pecadores e tão cheios de falhas. Não há maior dignidade do que nos assemelharmos a Cristo em suas dores.

Assim, ainda atribulados, não desanimamos, não desistimos, não voltamos atrás, não nos desesperamos.

E termino com as palavras de Pedro, que tanto têm ensinado ao meu coração nestes dias:

“Meus queridos amigos, não fiquem admirados com a dura prova de aflição pela qual vocês estão passando, como se alguma coisa fora do comum estivesse acontecendo a vocês. Pelo contrário, alegrem-se por estarem tomando parte nos sofrimentos de Cristo, para que fiquem cheios de alegria quando a glória dele for revelada. Vocês serão felizes se forem insultados por serem seguidores de Cristo, porque isso quer dizer que o glorioso Espírito de Deus veio sobre vocês. [...] Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês. Estejam alertas e fiquem vigiando porque o inimigo de vocês, o Diabo, anda por aí como um leão que ruge, procurando alguém para devorar. Fiquem firmes na fé e enfrentem o Diabo porque vocês sabem que no mundo inteiro os seus irmãos na fé estão passando pelos mesmos sofrimentos. Mas, depois de terem sofrido por um pouco de tempo, o Deus que tem por nós um amor sem limites e que chamou vocês para tomarem parte na sua eterna glória, por estarem unidos com Cristo, ele mesmo os aperfeiçoará e dará firmeza, força e verdadeira segurança. A ele seja o poder para sempre! Amém!” (I Pedro 4:12-14; 5:7-11 – NTLH – Versão para Jovens)

Tendo descoberto o fim a chegaremos seguindo a Cristo, continuemos seguindo-O.

Que o Deus de toda a graça fortaleça a cada um de nós, Seus filhos, a permanecermos na batalha. Amém.


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*Pregação completa de Ed René Kivitz sobre o auto-engano e o amor em: http://www.4shared.com/audio/je3yafDp/Famlia_A_histria_de_ns_dois_O_.html